A vergonha alheia

Navegar hoje se tornou um exercício de vadiagem. Esmagadora maioria dos internautas fazem acesso de conteúdo inútil, sem valor cultural ou intelectual – separo aqui essas duas vertentes pois acredito que a cultura, como forma de expressão e identidade, é válida quando é boçal, inútil ou mesmo aparentemente sem sentido – Blogs, twitter, Orkut (benza deus satanás), youtube e pornografia – ahhhh a pornografia – são os principais destinos de todos os navegadores, ou você chegou a pensar que eu ia falar sobre o mar e “minha roupinha de marinheiro” by renato?

Derivado disso, do conteúdo inútil que corroboramos, consegui dar nome a um sentimento que sempre tive, uma série de reações químicas que experimento desde meus cinco ou menos anos de idade. A vergonha alheia. Lembro quando era pequeno, ainda sem entender muito das coisas e, filmes da tela quente ficavam quentes demais. Eu sentia algo extremamente desconfortável, não conseguia olhar para lado, mesmo que tivesse sozinho, para não imaginar a reação de ninguém, nem deixar que ninguém imaginasse a minha. Anos depois com Maurício Ricardo do site http://www.charges.com.br em sua coluna diária e-mails comentados aprendi que aquilo que eu sentia era vergonha alheia.

A maioria das coisas “engraçadas” e badaladas que vejo na internet, geram vergonha alheia, e me preocupa muito que esse tipo de conteúdo seja tão visado. Eu geralmente rio, mas depois do riso e de uma analise mais centrada da situação, percebo que eu, além de perder meu tempo com aquilo, fui tragado a me comportar exatamente como um fiel assistidor de vídeo cacetadas que sou. Para uma exemplificação nítida da história te convido a assistir dois vídeos muito pouco interessantes:

Uma amigo meu uma vez me disse, que engraçado né, alguém cai e sente dor, e ainda assim, todos riem. Ele disse isso enquanto assistíamos a já citada vídeo cacetadas. Eu senti vergonha de mim naquele momento – ele também estava rindo – e desde daquela época comecei a me questionar da origem do humor, da vergonha alheia e da maldade inerente a cada um.

Outro dia ainda, o mesmo Maurício Ricardo, que me ensinou o significado disso, disse em seu twitter que ninguém tem o direito de sentir vergonha alheia, explicando que, temos o direito de sentir vergonha quando vemos algo que achamos engraçado, exagerado ou vergonhoso, mas não temos o direito de exigir que as pessoas que geraram isso em nós sintam vergonha. Claro que essa situação serve para casos bem específico como esses: não assistam esses vídeos.

NOOOOOSSSSAAA!

sahuuhshuaueshuauheusuhaeuhsa você me FAZ…. nossa….

essa musica pega…

meu deus… eu não aguento mais…

continuando:

Por final é realmente algo que não consegui definir, qual é o limite, como ser sociável, de sentir vergonha, por mim, pelo próximo; rir e gostar dessas exibições e demostrações de idiotices ou mesmo de sentir conforto com cenas “owned” que claramente geraram dor em alguém?

A reposta ainda não veio, e talvez gere uma teoria para um texto futuro. Aceito dicas, sugestões e discussões.

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Sobre Pride

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4 respostas para A vergonha alheia

  1. Anita disse:

    CAracas… vc dizer q sente vergonha alheia e com isso ganhar coragem pra postar esse lixo….Definitivamente réu confesso da inutilidade .. esses vídeos então.. por Deus.. ¬¬ Nunca perdi tanto tempo .. Vai jogar Wow q vc ganha mais >>’

    • Pride disse:

      Mais um comentário que nem vale a pena responder.
      mas por carinho a todos os que dispõe seu tempo escrevendo frases extremamente úteis e aparentemente intelectualizadas para parecerem inteligentes em cima das coisas que eu escrevo aqui vai: 1 – sou fiel assistidor de vídeo cacetada e isso está no texto. 2 – fiz todo um trabalhao de horas procurando vídeos inuteis para ilustrar as atrocidades quimicas que acontecem no meu corpo e esses vídeos são resultado de horas de pesquisa, seu irmão inclusive participou da pesquisa e me ajudou a escolher… 3 – você como um dos vários personagens que eu crio para comentar nesse blog e fazer parecer que eu tenho popularidade deveria ser mais educada e menos tansa USHAUehUSAHUehuHSAUHAUEhUSAHUeHSA rá.

  2. Rafaela disse:

    atonita leio essas coisas, não sei se me surpreendo, se me entristeço ou se encaro como a mais pura verdade.

  3. Envy disse:

    NOOOOOOOOSSA!
    Não sei se eu poderia, mas eu RI.
    Interessante…esse post me fez refletir algumas coisas (outras não, apenas ri).
    Ficou “top de linha”, como costumavam dizer por aí. ^^””