Confluência geral das vontades : Prelúdio : A mente e o criador.

Esse texto faz parte de uma série, a leitura individual pode causar confusão, para ler o texto anterior clique aqui. Para o Índice, clique aqui.

Capitulo III

És se não imagem e semelhança de mim, criatura, pois es nada mais que o próprio criador.

Continuando a ideia do texto anterior, temos agora algo a olhar, o nosso objeto se define primariamente como o ser pensante. Entretanto não se apeguem muito a ele, no decorrer dos textos ele se confundirá com conceitos muito mais abstratos.

Agora vamos analisar, mesmo que por um instante, o que é o pensamento?

Os mais rápidos dirão que são pulsos elétricos, outros dirão que é a manifestação do espirito, outros ainda dirão que faz parte de um complexo conceito que culmina na inter-relação de vários outros conceitos que definem a existência. Eu fico com a terceira alternativa, e esses “alguns outros” no caso sou eu.

Sempre me perguntei aonde diabos ficavam aquelas imagens, sons e cheiros que eu tão perfeitamente podia reproduzir, as vezes mesmo sem fechar os olhos (a.k.a alucinação). Durante muito tempo da minha vida me convenci de que havia uma televisão no meu crânio que veiculava todas aquelas sensações, no caso melhor ainda que minha televisão caseira porque eu podia sentir cheiro, o que seria muito bom que nossas televisões tivessem, seria mais imersão na realidade transmitida. Eventualmente a maturidade me convenceu de que não há uma televisão super tecnológica de alta definição e precisão olfativa. Mas reparei algo, que anatomicamente é importante, toda imagem se forma na minha cabeça, quase que como atrás dos meus olhos, todo som, muito próximo dos meus ouvidos, em alguns casos de lembranças mais precisas, consigo até dimensionar o som, exemplo se o grito foi ouvido do lado direito, com olfato não consegui constatar a proximidade imaginativa da anatômica, mas minha fertilidade cerebral fez o resto do serviço quando constatei as duas primeiras, agora toda memória de cheiro eu sinto próxima ao meu nariz, mesmo se neurologicamente ela não é formada lá.

Do que veio a minha primeira boa constatação, somos criadores da nossa realidade. Deuses de nós mesmos.

Mas antes de adiantarmos tanto assim a ideia, vamos tentar analisar como o ser pensante chegou aonde chegou. No texto anterior falamos de complexidade; defendendo que a elevação da complexidade do ser vivo o tornou em ser pensante, decorrente claro da especialização sucessiva dos tecidos e da necessidade de organização neural. Mas a pergunta que levanto aqui é: O que é realmente o pensamento?

Acho que a abstração do pensamento faz do ser pensante, pensante. Redundante eu sei, mas é que eu dizer mais é estragar as surpresas dos próximos capítulos.

Outra questão importante aqui é: Que animais chegaram a esse nível? Porque o pensamento é inerente, posso afirmar com leiga certeza, em todos os vertebrados. Se temos um olho, é porque captamos essa imagem, se temos um nariz é o mesmo para o cheiro.

Aonde é um bom começo para definir o pensamento, temos um fenômeno, produzimos a capacidade de receber, perceber, captar – ou qualquer outra sinonímia que você desejar aqui – esse fenômeno, logicamente porque é necessária para o ciclo de produção de energia, sustentação da vida, e evolução, como já discutimos no texto anterior, ou não vai saber. Mas a ideia é a seguinte, simplesmente captar esse fenômeno não é o suficiente para que torne-se útil esse conjunto de dados captados. Evoluímos então para análise, muito importante também para definir o pensamento.

Vamos com calma para que isso fique claro. Temos um fenômeno, e aí captamos o mesmo, e agora nós conseguimos analisar esse fenômeno… Pretty cool han? Nah a parte mais legal vem agora, vamos definir o que fazer com essa informação, ela é boa? É ruim? Como saber? O que fazer? ARMAZENAR, e a partir da informação armazenada comparar. E isso sim é legal, isso sim é o processo do pensamento. Claro que em níveis complexos demais esses passos ficam inter-relacionados recursivamente e perdemos aonde inicia e aonde termina o conceito.

Mas o ser pensante tem algo mais, o ser pensante pode pensar o pensamento, definir níveis de abstração para suas imaginações, e em CNTP pode inclusive definir o que é real do que é irreal e vem o ponto desse texto, a definição da mente como o criador.

Daqui para frente coloque isso na sua cabeça, a realidade é reflexo da percepção, tudo que você consegue perceber, analisar, comparar e a partir dos níveis de abstração formar uma ideia opinião, é realidade, e dado isso, como não há metafisicamente explicação e distinção para o que é real ou não; a realidade para mim não é a realidade para você, porque de alguma maneira em pelo menos um dos processos já descritos não fazemos da mesma maneira o que resulta (não necessariamente) numa realidade diferente. Na segunda parte, Teoria, voltaremos a falar mais sobre o assunto realidade e percepção, mas isso era o suficiente para que você criasse esse conceito. Você é o criador desse mundo, de todas as coisas belas e feias, “boas e más”, e tudo que pode sentir. Acredito fielmente que é exatamente isso que a bíblia quis dizer com feito a imagem e semelhança, que a cabala quer dizer com o microcosmo, bla bla bla bla e por final a ciência afirma que somos o topo da evolução.

Espero que tenham gostado, até o próximo texto.

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2 respostas para Confluência geral das vontades : Prelúdio : A mente e o criador.

  1. PaladaMT disse:

    XD profundo….como o anime evangelion….XD

  2. Envy disse:

    … uhumm. “És a imagem e semelhança de mim, criatura, pois nada mais és que o próprio criador”. Como esperado de tu, Kaminari taichou-san … mal posso esperar pela conclusão dessa sua obra intelectual.

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