Cidade do Rock

E aê povo, como está esse começo de ano pra vocês? O meu tá uma merda por conta de uma infecção no ouvido, o que me deixa temporariamente surdo e, por recomendação médica, me obriga a mascar chiclete por 40 minutos três vezes ao dia, coisa que estou fazendo agora… Para passar esse tempo vou escrever sobre uma noite que foi relembrada várias vezes nos dias que passei em Cuiabá antes do Natal: O festival Cidade do Rock, com ênfase no segundo dia… Esse vai ser grande!!!

Cuiabá é uma cidade que se você gosta de rock, você se fodeu. Terão, no máximo, 4 shows por ano para você ir e você estará rodeado por 32,78 shows semanais de sertanejo e inúmeros cowboys de apartamento, portanto quando apareceu um festival de rock na Univag eu e meus amigos não pensamos duas vezes e naquela quarta-feira, 19 de setembro de 2007, comprei meu primeiro ingresso de um festival de rock. Nesse dia também um carinha que estudou comigo, que já tinha jeito suspeito, me disse que “não existem tênis femininos e masculinos mais, todos são unissex” inclusive os cor-de-rosa, pois eu fiz questão de apontar um pra ele e perguntar se aquilo também era unissex… BICHA!!!

No primeiro dia, a sexta-feira da mesma semana da compra dos ingresos, já na fila para entrar o Flávio, pela primeira vez, vai tirar onda com um carinha que se encontrava à nossa frente e já estava visualmente noiado. Até mais ou menos um ano atrás eu ainda me lembrava da maior parte do diálogo, mas hoje eu só me lembro que o Flávio disse para o cara procurar a gente mais tarde no show, pois ele queria passar o começo do show de boa, depois ia dividir as paradas com o cara. Flávio adorava fazer esse tipo de coisa, não sei se ele continua gostando depois de um certo aperto que passamos num bar, mas isso fica pra outro dia.

O primeiro dia do festival foi muito bom, teve Frejat, com o Flávio pedindo incessantemente para que o mesmo tocasse uma pra ele, Ira!, que naquela semana havia perdido o Nasi por conta de uns problemas que até hoje não me foram bem esclarecidos e uma bandinha tosca com os integrantes surfando uma tsunami verde, o que me fez voltar para casa antes mesmo do fim por não entender o que eles queriam fazer. Assistir ao show do Ira! sem o Nasi parecia que ia ser chato pra caramba, mas o Scandurra conseguiu levar o show muito bem, mostrando ser um ótimo profissional e ganhando muito mais o meu respeito, mas infelizmente aquele foi um dos últimos shows da banda.

Essa era a galera do primeiro dia.

Na foto acima podemos ver o Flávio ao meu lado, Gabriel, atrás do Gabriel podemos ver parcialmente o Envy, Lorena, Samantha (provavelmente os motivos para terem tirado a nossa foto), próximo ao canto direito ao fundo um personagem fundamental na continuação da história, o Hugo e o Leandro em uma das últimas vezes que usava seu boné que até hoje não sei se é azul ou verde, talvez agora na Austrália ele já saiba a resposta.

O engraçado é que nesse primeiro dia o carinha da fila nos encontrou no meio da muvuca e pediu um isqueiro ou fósforo, pois as meninas que estavam com ele queriam o bagulho e ele tinha esquecido de levar algo para acender. Viram? Isso faz sim mal para a memória.

Vamos agora para o dia que realmente importa nessa história toda, o segundo. Eu sei que tá chato até agora, mas o segundo dia compensa, pois além do Flávio, estava presente também o Ivan e sempre que o Ivan está presente, principalmente com Flávio e Leandro no meio da história, algo irá acontecer. Só a título de informação, o aperto no bar mencionado anteriormente contava com a presença dos três.

Flávio, Smeagol, Ivan, eu e Cabral num churrasco no final do mesmo ano. Uma história com o Smeagol virá logo logo...

Ivan queria ir no festival, mas estava passando por uma situação financeira nada invejável e não poderia arcar com o ingresso, Hugo só poderia ir na sexta, pois teria um compromisso no sábado e entregou seu segundo ingresso para o Flávio para que ele conseguisse vender. Junte dois mais dois e é bastante óbvio que eu e Flávio não deixaríamos Ivan fora dessa e decidimos entregar o ingresso para Ivan e não contar nada para o Hugo, na esperança que ele esquecesse e ninguém pagasse nada. Isso é o que dá quando se junta a mente “perversa” do Flávio e o espírito de porco que vos escreve. Hugo até chegou de ligar para a gente no dia falando que tinha dado um jeito e queria o ingresso de volta para ir ao festival, mas o Flávio disse que tinha vendido para o Ivan e tudo ficou de boa. Mas nada de grana.

Por volta de umas 22hs, já na ida dentro do táxi que pegamos em um mercado próximo ao meu antigo apartamento, Ivan conta como estava se fodendo por seu dinheiro ter acabado ao comprar um apartamento em algum lugar do estado de São Paulo que ele nem sequer viu a cor direito e seu irmão o alugava e ficava com todo o dinheiro. O taxista chorava de rir das histórias que Ivan contava e ao nos deixar nos deu o telefone dizendo que quando tudo terminasse era para ligarmos e que ele não cobraria bandeira 2 de clientes tão destruídos. Uma coisa nisso tudo é verdade, não pagamos a bandeira 2. Nem porra nenhuma…

Nesse segundo dia tocaram Cachorro Grande, Nando Reis e Biquini Cavadão. Não lembro em qual dos dias Natiruts estava escalado para tocar, só sei que os camaradinhas não apareceram, mas como eu não estava lá por eles, foda-se. Os shows foram bons e nesse segundo dia vi uma coisa que achei sensacional: Uma briga entre dois caras estourou e quando a galera abriu eu pude ver um dos dois tomar TRÊS socos no olho e ainda assim segurar o quarto soco com apenas uma mão, depois ele tentou socar o cara com a outra e foi segurado, também por uma mão. Enquanto a galera abria mais e os dois se deslocavam um segurando a mão do outro eu tive a ideia de aproveitar e cortar todo aquele vazio para ficar mais próximo ao palco, com isso avancei uns 10 metros. Ótima ideia.

O show do Biquini foi um dos melhores shows que eu já vi, a presença de palco era absurda e inclusive com Bruno Gouveia jogando água nas mulheres que se encontravam na área VIP e quando ouviu reclamações sobre chapinha disse que na próxima elas não sejam VIPs. Nesse show também vi Ivan se soltar pela primeira vez, ele não bebia na época e vê-lo pulando e rodando a camisa feito um louco pela primeira vez foi estranho e divertido.

Quando o show do Biquini acabou, lá pelas 5hs da manhã, ligamos para o taxista, ele disse que já estaria indo e era só esperar um pouco. Nisso ainda estava bem escuro. Passados uns 15 minutos de espera reencontramos o Raul, um amigo do Flávio que disse que também iria de taxi com a gente até o meu apartamento. Meu apartamento era o point, ficava muito bem localizado, próximo à UFMT e logo em frente tinha um ponto de ônibus, que Flávio e Raul usariam para voltar para suas casas, além do que o Flávio tinha deixado uma mochila lá.

Ligamos novamente para o taxista, já estava amanhecendo, e ele disse que estava lavando o carro, mas que em 15 minutos estaria lá para nos buscar. Encontramos um amigo do Ivan, que não me lembro o nome, e ele disse que estava indo pegar ônibus, mas que iria rachar o taxi com a gente, já éramos cinco esperando o bendito taxi, mas nada dele aparecer e tive a ideia da noite (ou dia, sei lá como você classifica): A noite já estaria em nossas memórias por um bom tempo, porque não a deixar mais memorável ainda voltando a pé?! Claro que ninguém aceitou a princípio, mas eu posso ser muito chato quando quero alguma coisa. Hehehe…

Quando o relógio bateu 5h45 já estava clareando e nada do taxista chegar, decidimos nos levantar e finalmente ir embora com as nossas próprias pernas. Já no começo percebi que não foi uma das melhores coisas que pensei em fazer, pois eu estava em pé, de coturno, a umas 8hs ininterruptas, isso sem contar que fiquei pulando durante os shows, principalmente no último. Todos estávamos incrívelmente cansados, mas mesmo assim, quando um taxista passava vazio a gente chamava ele, ele parava e a gente falava que não queria nada não e que ele poderia ir embora. Acho até que a gente perguntou as horas…

Ao chegarmos no meio da ponte Sérgio Motta paramos para um descanso porque ninguém aguentava mais andar, as pernas doíam e já não acreditávamos que tínhamos dispensado tantos taxistas. Ao olhar um pescador em sua canoa no rio Cuiabá, Flávio decide interagir com o mesmo:

– Opa, tudo bem? Já pegou alguma coisa hoje?

– Não… Não peguei nada ainda…

– Então volta pra sua casa que você não vai pegar porra nenhuma hoje não.

Nisso olhamos para o fim da ponte e percebemos que no ritmo que a gente estava talvez a gente conseguisse terminar de atravessar antes que ele ancorasse na margem do rio e corresse pra nos bater e continuamos o martírio.

Quando alcançamos o lado cuiabano do rio e chegamos na rua que segue às margens do córego do barbado, estávamos tão mortos de cansaço que andar em fila para quebrar o ar parecia ser a única maneira de continuar e assim seguimos. Tal qual os gansos, quando um cansava ele ia para trás do grupo e outro assumia a dianteira. A gente já estava andando por inércia, apenas levantávamos os pés e a perna ia sozinha, o cansaço era tanto que nenhuma das histórias de gente sendo assaltada no bairo que atravessávamos nos assustava mais e a gente ainda tinha esperança de que na hora que a gente fosse assaltado, os caras batessem na gente e nos empurrase um pouco pra frente.

Quando ninguém conseguia andar direito e já cogitávamos a possibilidade de deitar no chão para um descanso, que provavelmente duraria uns bons minutos, eu tive uma visão, a avenida que indicava que uns 2/3 do caminho já estavam completos: a avenida Carmindo de Campos. Como alguém perdido num deserto e que acaba de ver um oasis avancei, tentando animar todos os meus companheiros de jornada, mas ninguém mais se animava, eu andava mais depressa, passando por todos e anunciando a tão esperada chegada à avenida que seria o marco da caminhada, mas eu tive uma surpresa extremamente desagradável e logo me desanimei também, sendo ultrapassado por todos os outros, aquilo não passava de um retorno vagabundo que ainda tiveram a coragem de nomear como “Ponte Dante de Oliveira”. Aquilo mostrava que estávamos a uns 100 metros da avenida almejada, mas o ânimo já tinha se ido completamente.

Quando chegamos na avenida Carmindo de Campos tivemos um vislumbre: uma padaria. Nunca agradeci tanto por encontrar uma padaria na minha vida. Ela já devia estar aberta a algum tempo, pois já eram 7hs da manhã, lá comemos muitos pães de queijo, salgados e tomamos umas 3 cocas litro, na época elas ainda deviam custar entre R$ 1,00 e R$ 1,20. Ficamos lá por meia hora, sentados nas cadeiras sem forças nem para conversar direito, no fim o amigo do Ivan pediu um pedaço de bolo, a mulher disse que era um real, Ivan gostou da ideia e pediu um cinco minutos depois, pra ele custou R$ 3,20 e o pedaço ainda foi menor, o que fez o resto de nós rir sem parar.

Depois de mais meia hora de caminhada, o que se você sabe somar já percebeu que interou 8hs da manhã e mais de duas horas de caminhada, chegamos ao meu apartamento. Flávio me disse que dó mesmo ele sentia era do Ivan, porque ele ainda teria que andar mais, no mínimo, metade do que já havíamos andado. Eu não sabia onde o Ivan morava, mas também senti dó dele. No meu apartamento, Flávio e Raul sentaram no sofá e ficaram mais uns quinze minutos falando um para o outro:

– Tá na hora de ir…

– Pois é, vamos logo antes que a gente perde o ônibus…

– Vamos…

Mas nenhum deles se levantava e ia, até que perceberam que era domingo e que se perdessem o busão teríam que esperar MUITO tempo. Imediatamente tomei um banho frio e dormi até que já estava escuro novamente. Flávio e Raul realmente perderam o ônibus e ficaram revezando a vigia, um dormia enquanto o outro olhava, quando o vigia cansava, acordava o outro e cochilava até que o atual vigia se cansasse, foi assim durante uns 45 minutos até que finalmente eles chegaram em suas casas.

Quanto ao Ivan, ele diz que nem sabe como chegou em casa, nem a hora, nem nada. Ele deve ter sonambulado um pedaço do caminho e quando olho hoje a distância que ele caminhou, sei que o coitado sofreu. Se você não conhece Cuiabá e não acha que andamos tanto, vamos ver com a ajuda do Google Maps a distância percorrida.

Tá aí em azul. Compare com a distância entre os bairros.

O ponto A é de onde saímos, em azul tem o caminho percorrido, o ponto branco é a padaria, o ponto B é onde ficava meu apartamento e o ponto C é a casa do Ivan. De acordo com a fonte do mapa, a distância da Univag ao meu apartamento é de 5 km e a distância dele à casa do Ivan é de mais 2,5 km. Se você olhar os bairros, verá os extremos de Cuiabá, como o bairro Santa Rosa e o Osmar Cabral, pode-se dizer assim que o Ivan andou quase metade de Cuiabá e eu devo ter andado 1/3.

No fim eu consegui o que queria, que ao contrário do que alguns amigos meus pensam ser pela muquiranagem, era somente deixar a noite memorável, pois nenhum de nós se lembra daquele dia pelos shows, só pela epopéia da volta. E sem bandeira 2!!!

Até a próxima camaradinhas, um bom 2011 pra vocês. BLEHH!!!

Anúncios

Sobre Felipe Washington

Gott weiss Ich will kein Engel sein.
Esse post foi publicado em Contos. Bookmark o link permanente.

4 respostas para Cidade do Rock

  1. flavio disse:

    num seria relativa? ou foi um trocadilho?
    bazinga…..

  2. flavio disse:

    véi, tem tanta coisa nessa história…a gente vendo tropa de elite recém pirateado…
    cara o clima…o ar tava praticamente irrespirável. cuiabá tava um inferno naqueles meses.
    e o meu avô tinha falecido…
    puts, mas marcou mesmo.

    • Verdade… Esqueci da humidade negativa do ar. Mas o Tropa de Elite recém pirateado foi uma semana depois, quando a gente voltava do show do Sepultura.
      Naquele aconteceu muita coisa também, não tanto quanto no Cidade do Rock, mas aconteceu.
      Hehehe

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s