Dinâmica em São Paulo

Depois do carnaval e de ficar cansado de ver notícias sobre escolas de samba, piadas com a Ana Hickmann caindo no samba e outras sobre o ano ter começado agora (vamos emendar logo esse restinho de ano aí) fui convocado para uma dinâmica de grupo para a seleção de um programa de trainee em São Paulo e, como sempre, o motivo da viagem sempre fica em segundo plano.

Como só ficaria um dia em São Paulo decidi seguir o conselho do meu pai e não levar nada que deveria ser despachado, somente uma mochila com 3 mudas de roupas e como a passagem estava marcada para 12h40 eu fiz o que sempre faço e deixei para arrumar a mochila na manhã da viagem, assim lá estava eu 2hs da manhã do dia 09 quando lembrei que precisaria levar uma foto 3×4, mas como eu tiraria se não sei lugar? Não me restaria outra alternativa se não acordar cedo, arrumar as coisas e correr para o shopping, mas nisso tudo deu certo, pois consegui tirar a foto e chegar em casa 11hs, tendo assim tempo para almoçar e realizar o check-in.

De certa forma eu estava empolgado para fazer aquela viagem, nunca tinha ido a São Paulo e o avião iria pousar em Congonhas e como dizem que você só pode dizer que não tem medo de nada após pousar nesse aeroporto, queria testar o meu nível de sadismo. Descobri que eu realmente devo ter problemas psicológicos sérios, além de ficar tranquilo ao passar quase metade do voo (com exageros, por favor) em turbulências, não senti nada de diferente ao passar a metros dos prédios.

Logo que cheguei fui abordado por um camarada oferecendo seus serviços de taxista no saguão do aeroporto, como sou um capiau e às vezes muito ingênuo, aceitei de boa e fui andando junto com o suposto taxista em direção ao seu táxi. Enquanto estava atravessando uma passarela e ele falava que seu carro de trabalho estava com seu irmão e que teríamos de fazer a corrida no seu carro pessoal pensei: “Isso vai dar merda…”. Mesmo com os pensamentos viajando entre ser assaltado, sequestrado ou ter um rim removido, continuei seguindo o cara, pensando que se ele entrasse em um beco eu não o seguiria, logicamente seria tarde demais, mas como disse, sou um capiau, mas mesmo com toda a ingenuidade o cara só queria me levar ao meu destino mesmo.

Meus pais sempre me disseram que o serviço de táxi lá é muito caro, logo quando o cara me disse que iria cobrar 50 reais, fiquei até feliz, logicamente ao chegar em seu carro eu vi porque ele me daria esse “desconto”. O carro era um Verona 91 todo fodido, sem ar, com vidros de manivelinha. Novamente pensei: “Isso vai dar merda…”. Tudo correu bem até que chegamos em uma subida bem íngreme a uma quadra do hotel que ficaria, lá a gasolina do “táxi” acabou, dei logo o dinheiro pro cara e disse que iria fazer o resto do percurso a pé mesmo.

Cheguei no hotel e fiquei abismado. Era o melhor hotel que já tinha me hospedado, parecia um pequeno apartamento mobiliado, a cama era confortável e até microondas tinha. Da minha janela dava para ver a Avenida Paulista e a Rua Augusta, achei que a vista merecia ser fotografada.

Avenida Paulista. Viva o HDR!!

Tabelinha de preços camarada essa, né? A internet também era cobrada, 12 reais por 24hs de uso...

Ficaria naquela cidade somente por um dia, então não poderia ficar somente dentro do quarto do hotel, certo? Olhei no Google Maps o que tinha por alí perto, Masp, bares, pubs, cinemas, e então vi algo que realmente me chamou a atenção: Uma loja de quadrinhos. Finalmente teria a oportunidade de entrar em uma real loja especializada em quadrinhos. Não pensei duas vezes, fui direto pra lá e esqueci completamente dos outros lugares. Lá tinha de tudo, action figures, mangás, Magic, livros de RPG, DVDs e lógico, muitas HQs. Era a oportunidade perfeita para encontrar aquelas que sempre procurei e não conseguia encontrar (óbvio que não procurava direito). Comprei os dois volumes de Watchmen e como queria a algum tempo começar a ler Sandman comprei também dois volumes da edição definitiva dessa publicação da Vertigo, um deles em pré-venda. Ao voltar me dei conta que estava passando pela Rua Augusta e imediatamente a música do Raul Seixas apareceu na minha cabeça, ao mesmo tempo que eu constatava que é meio difícil entrar a 120 km/h atualmente naquele lugar.

No hotel, depois de assistir um pouco de Chapolin e ler alguns capítulos de Sandman fui ver como era a vista noturna da sacada do meu apartamento, quando abri a cortina me deparei com um relógio gigantesco no prédio do Itaú e acabei ficando atônito por alguns instantes.

Tá aí o relógio

Vista noturna da Avenida Paulista

Pequena vista da famosa Rua Augusta.

No outro dia, um dos testes da dinâmica consistia em responder duas questões, mas na hora que nós iríamos respondê-las o computador entrou em modo de espera e ninguém mais conseguia fazê-lo ligar novamente, o que nos fez perder mais de 40 minutos esperando a resolução do problema, mas que depois de três pessoas tentarem, foi resolvido.

Durante a apresentação um dos meus colegas de dinâmica disse que tinha jogos eletrônicos como hobby e no coffee break fui lá falar com ele:

– Jogos eletrônicos, hein? Que tipo?

– Play 3, lógico!!

E assim começou, um passava, ouvia a nossa conversa e se juntava a nós, mas só fui perceber que mais da metade do povo que estava na dinâmica estava na conversa quando perguntei se InFamous 2 já havia sido lançado e um que estava só de passagem parou e perguntou se era uma roda de discussão de jogos. Em poucos minutos todo tipo de assunto nerd passou por aquele círculo, desde as remasterizações de Star Wars a sites onde comprar jogos baratos, tudo foi falado e vi que existem muitos nerds no mundo mesmo.

Depois da dinâmica e de descansar um pouco no hotel, chegava a hora de voltar para casa, fiz o check-out e fui pegar um táxi para ir ao aeroporto já imaginando que teria que pagar com o fígado, pois não é que foi somente 30 reais!? Acabei aprendendo uma valiosa lição: Táxi em aeroporto agora só se for pré-pago, pode sair mais caro e você pode acabar tendo que completar o caminho a pé. Após fazer o check-in com a mulher com mais maquiagem que já vi na vida, andei uns 10 minutos até finalmente encontrar uma cadeira para poder dar continuidade ao livro que levei e esperar o embarque, enquanto estava lendo ouvi um aviso dizendo que não devemos aceitar taxistas que nos abordam no saguão do aeroporto. Isso deveria ter passado quando eu cheguei…

Depois de passar por algumas turbulências o avião chega em Goiânia e percebo que está chovendo, não muito, mas estava chovendo. Moro perto do aeroporto de Goiânia e sempre volto a pé para casa, pois os taxistas sempre ficam revoltados pela corrida curtíssima que nem paga a saída deles do aeroporto, como liguei em casa e minha mãe não se encontrava e minhas convivências com taxistas nos últimos dois dias não foram muito felizes para mim (pois creio que para eles foram), fui para casa a pé e debaixo de chuva mesmo, me molhar um pouco não me importava mais, afinal, a chuva estava fraca e já andei debaixo de tempestades muito piores ao ir para a faculdade a pé.

Viu só? Chuvinha.

Mesmo sendo apenas uma chuvinha eu cheguei em casa puto, tinha descoberto que havia sido passado para trás por um taxista, voltado a pé molhando para casa e, mesmo já sendo avisado que o povo em São Paulo é muito bem preparado, tomei um tapa na cara da realidade ao ver que não tenho chance de passar daquela etapa de seleção do programa de trainee, mas a resposta mesmo virá até amanhã, seja em um e-mail (ruim) ou em um telefonema (bom).

Assim como na ida para Brasília, que postarei em breve, o motivo que me levou a São Paulo acabou sendo secundário, pois essa viagem serviu apenas para quatro coisas:

1- Finalmente, aos 23 anos, conheci uma loja de quadrinhos no melhor estilo The Big Bang Theory.

2- Comprei a edição definitiva de Sandman e agora vou ler essa famosa HQ.

3- Táxi em aeroporto só pré-pago.

4- Finalmente consegui chegar em Bri e O Senhor dos Anéis deslanchou, não aguentava mais aquele Tom Bombadil e suas musiquinhas.

Algo que constatei essa semana é que mesmo sempre considerando a Marvel muito superiora na construção de seus personagens, só possuo HQs da Vertigo, uma divisão da DC, mas isso me foi explicado por um amigo, Leandro, pois na Vertigo a temática das histórias é adulta e isso acaba atraindo mais a nossa atenção mesmo. Meu irmão de 8 anos não entenderia toda a complexidade de V de Vingança ou Watchmen, o melhor pra ele é Homem Aranha e Batman mesmo.

É isso, o texto chegou ao fim. Até a próxima. E sem easter eggs dessa vez.

Anúncios

Sobre Felipe Washington

Gott weiss Ich will kein Engel sein.
Esse post foi publicado em Contos. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s