O Banho de Sangue

Semana passada esse fato completou dois anos e como foi algo que ficou marcado na minha mente e na minha camisa, que possui a mancha até hoje, decidi que nada seria mais justo que relembrar esse fato que batizou um dos meus amigos, e mais novo autor desse blog, como o “Fazedor de Viúvas”. Tudo começou com um simples convite para a formatura da então namorada, e hoje mulher, de um dos meus grandes amigos da faculdade…

Meu amigo Ronan me convida juntamente com vários outros amigos nossos para ir à formatura de sua noiva e um convite desse é irrecusável, se depender de mim eu vou em todas as formaturas possíveis, meus outros amigos da faculdade também pensavam dessa maneira e todos nós topamos aquele convite. Já comecei fazendo cagada no começo, pois lá tava bem explícito que era traje de passeio completo e eu, como bom capiau que sou, não sabia do que isso se tratava, assim fui apenas com uma camisa de manga curta recém-comprada. Logo que entrei no carro do André a primeira cosia que ele me diz foi que talvez eu não entrasse por conta disso, mas na época eu não tinha terno e mesmo assim já tinha entrado em várias formaturas de maneira pior que aquela. Como esperado (por mim) eu consegui entrar sem nenhum problema.

Viram? Camisa de manga curta mesmo e não tava nem aí.

A formatura era do curso de pedagogia, um curso cuja maioria é mulher, e olha, como esse blog é meu mesmo e eu estou pouco me fodendo se reclamarem, direi sem dó: QUANTAS FORMANDAS FEIAS!!! PQP!!! Sem brincadeira, eu esperava que fosse completamente diferente, talvez por eu estar cursando Engenharia Elétrica e quando a gente via um curso com aquelas características populacionais já pensava imediatamente em Arquitetura ou Enfermagem, mas tirando umas duas, isso incluindo a mulher do meu amigo, todas eram feias de dar dó. Meu curso era majoritariamente masculino e mesmo assim as representantes femininas presentes nele eram bonitas (tá, algumas eram, outras conseguiam inclusive humilhar de forma brutal e gloriosa aquelas formandas de Pedagogia). JAGUAR!!! LIBERTE O TIGRE EM VOCÊ!!!

Enfim, lá estava Dalmo e eu tecendo comentários como os do parágrafo acima quando vemos um outro colega de curso no local, ele imediatamente foi nos cumprimentar e se deu o seguinte diálogo:

– Porra cara!!! E aê, convidado de quem? – perguntamos.

– Da minha irmã.

Como o cara era bem o estereótipo de um alemão, imaginamos que a irmã dele era uma loira também e pensamos ser a outra que se salvava naquele bando de urubus.

– Eita, que massa!! Nem sabia que você tinha uma irmã, é aquela loira alí? – e apontamos para a que achávamos que era.

– Não não, minha irmã é morena.

Tenho certeza que eu e Dalmo pensamos a mesma coisa nesse momento: “Então a irmã dele é feia.”, pois ambos ficamos sem-graça na hora e mesmo com o camarada apontando para a sua irmã, desconversamos e saímos de perto.

Começando pela esquerda: Najla, Dalmo, Leandro (Widow Maker), eu (dormindo), André e Isis.

Bom, uma vez que ocorre as entradas a galera ataca a comida e vai pro meio da festa, mas como não tínhamos muitas opções só ficamos lá de boa mesmo pulando quando era pra pular e indo sentar quando tocava músicas para dançar em pares. Todos exceto um, esse dizia que já que estava lá mesmo ia chamar todas pra dançar. Exatamente, caros amigos, esse é o Fazedor de Viúvas (ou Widow Maker, como preferir), e ele saía dançando com todas que podia, sendo elas feias ou bonitas, mas sempre respeitando as acompanhadas.

Nossa turma da Elétrica. Em cima, da esquerda para a direita temos Serginho, Dalmo, Ivan, Smeagol, eu, André e Leandro, embaixo temos Flávio e Ronan. Reparem que o Leandro é o único de preto, o que mostra que ele já estava preparado para MATAR!

Em um determinado momento da festa vi uma loira gorda me olhando, fiquei meio sem graça e saí de perto, me dirigindo para a rodinha dos meus amigos (entenda isso como quiser), porém o grande Fazedor de Viúvas foi lá e chamou ela para dançar, mostrando que ele realmente não estava se importando com nada. Mas como ninguém se contenta só com carniça, ele foi logo atrás de um filé, a backing vocal da banda. Ele ficou uma boa parte da noite jogando flores no palco, o que era uma cena bastante engraçada, já que ele apontava para a garota, dava um beijo na rosa, uma piscadinha marota e então jogava a pobre flor, mas o melhor não era isso, o melhor era ela desesperadamente pedindo para ele parar, pois seu namorado era o baixista, mas meu amigo nem percebia que ela pedia para parar, posteriormente ele disse que achava que ela estava curtindo.

Vários dos nossos amigos já tinham ido embora da festa, restando somente os arroz-de-festa, Leandro, Ivan, Serginho, Smeagol e eu. Já eram quase 5hs e no fim de tudo, com o povo feliz por ter feito o Ivan beber, já que eu resisti bravamente por toda a faculdade, Leandro decide ir entregar uma rosa pessoalmente para a backing vocal. Nessa altura do campeonato o Flávio já havia voltado, pois ele disse que iria buscar as pessoas que ele levou, não as deixando na mão e ele estava conversando com o Serginho e o Smeagol, enquanto eu conversava com o Ivan. Nesse momento eu ouvi somente a voz do Leandro dizendo “Não sei quem é mulher de ninguém aqui não, cara!! Não sei quem é mulher de ninguém aqui não!!” e me viro para olhar o que estava acontecendo quando vejo o Kimbo Slice sem barba atrás do meu amigo.

Você não sabe quem é Kimbo Slice? Sorte sua. Mas como essa imagem precisa ficar impregnada na sua mente para entender o que acontecia naquele momento, mostrarei aqui quem é Kimbo Slice em uma foto, um vídeo e o link para a Wikipedia. Acredito que esses três artifícios serão suficientes.

Imagine esse cara indo te pegar...

Continuando… Lá estava o Kimbo do cerrado atrás do meu amigo e esse indo em nossa direção, quando ele se aproxima dos meus amigos o cara empurra o Leandro com uma força impressionante, batendo com as mãos em seu peito. Nessa hora todos os meus amigos foram apartar a briga, exceto eu que fiquei simplesmente olhando tudo acontecendo sem mover um dedo (fiquei parado mesmo, nem tive tempo de reação, mas em parte acho que foi por filhadaputisse mesmo). Após o empurrão eu me recordo de tudo em câmera lenta, lembro exatamente do Leandro indo de encontro à mesa, os irmãos do cara chegando e segurando o cara, meus amigos indo para segurar o agredido e esse voltando com toda a velocidade e força que seu alter ego possui para desferir um golpe com precisão cirúrgica no nariz do negão armário e então ouvi o som abafado de algo se quebrando. Foi então que notei o tamanho dos irmãos do cara. O cara já era grande, os irmãos dele eram maiores, mas para a nossa sorte eles sabiam que seu irmão estava sem razão e o levou para fora do local da festa.

A festa já tinha acabado, a banda já havia parado de tocar e tinha ido embora e no salão só estavam o nosso grupo e mais um grupo de bêbados. Nessa hora discutindo descobrimos que a mulher do cara era a loira gorda e o Leandro disse que ela tinha sido a mais safada com quem ele havia dançado naquela noite. Então olhei para a entrada do salão e vi o Kimbo cuiabano vindo em nossa direção pela única saída do local e em sua mão estava um lenço cuja parte de baixo era branca mas a parte de cima estava vermelha e ensopada de sangue que esse limpava do seu nariz, de repente o segurança diz pro meu amigo correr dalí porque ninguém iria conseguir segurar um cara daquele tamanho (que segurançazinho esse, hein…), Leandro vira para mim e pergunta por onde ele sairá se o “corno” maluco está vindo pela única saída e eu digo para ele atravessar no meio de todas as mesas amontoadas, algo que ele faz imediatamente.

Nessa hora já tinha tido minha cota de filhadaputisse e decidi acompanhá-lo, assim se a polícia parasse a gente eu diria que estava dirigindo, pois havia acabado de tirar a minha carteira (nem pego ela eu havia ainda), mas no meio do caminho eu encontro o Ronan e a Izis, o casal que nos convidou e que não sabia de nada do que estava acontecendo, e fui explicar os fatos ocorridos. Após uma explicação corrida, me dirigi ao estacionamento e só vi um cara agitando os braços ao lado do carro do Leandro enquanto esse saía. Voltei para o salão encontrar com meus outros amigos e decidimos que o Flávio poderia levar todos nós sem a necessidade do Leandro voltar, assim ele poderia ir direto para casa e ficar tranquilo.

Óbvio que a merda tem que aumentar, pois quando o Leandro atendeu ele disse que o celular havia caído no chão enquanto tentava nos atender e que quando se abaixou para pegar acabou batendo em um poste. Imediatamente nos desesperamos e dissemos para ele sair do carro e se esconder no mato lá perto nos esperando, assim se o Kimbo da baixada cuiabana passasse por lá ele não teria perigo de ser estraçalhado, após isso saímos todos correndo para o carro do Flávio e ir prestar socorro ao nosso amigo. Novamente o casal que nos convidou não estava por perto e eu fiquei para trás os informando dos novos acontecimentos.

Enquanto corro para alcançar meus amigos e não ser largado para trás, passo pelo outro grupo que estava no fim da festa e esses diziam algo como “Onde estão os corajosos??? Vamos lá!!!”, mas nem dei moral, alcancei meus amigos, me sentei no banco da frente e a disposição das pessoas no carro foi algo assim:

Praticamente uma obra de arte moderna!!!

Pois bem, agora que já tem memorizado a posição dos ocupantes do carro, continuarei. Logo ao entrarmos no carro Smeagol, por costume, começa a abaixar o vidro do carro na manivelinha que os Gols G4 possuem atrás. Não lembro a razão, mas nesse momento olhei para trás e vi um vulto do que parecia ser uma mão socando a cara do pobre coitado, que imediatamente começou a levantar o vidro com toda a velocidade que podia ao mesmo tempo que gritava: “CORRE FLÁVIO!!! ACELERA ESSA PORRA E VAZA!!! CORREFLÁVCORREFLÁVCORREFLÁVIO!!!”(mesmo que todos digam que foi um pé, eu vou morrer afirmando que o que vi foi um soco e não um chute, como eu sou a pessoa que escreve essa bosta, façam me o favor de enfiar as suas respectivas versões no). Não, eu não esqueci de terminar a frase.

Flávio nessa hora começava a acelerar o carro para fazer barulho e ver se o povo que está rodeando o carro sai de perto, foi quando percebemos que deviam ser uns 8 a 10 e que não teríamos chance, mas eu, em um acesso de loucura, fico querendo descer lá e peitar todo mundo, era óbvio que iria apanhar feito um condenado e por isso agradeço não ter lembrado de levantar o pino de travamento da porta. Flávio continuou acelerando o carro por uns 5 segundos, até que ouvimos o quebrar de uma garrafa e o carro sai jogando o cascalho do estacionamento para todo lado, então se deu o seguinte diálogo dentro do carro:

– Serginho, como eu tô? – pergunta Smeagol.

– HUMMM CARA!!! FODEU!!! Você quebrou seu nariz… – responde Serginho após constatar que toda a face de nosso amigo estava coberta de sangue.

– Ah cara… Meu nariz parece estar bem… – fala Smeagol logo após mexer em seu nariz.

Todos estávamos desesperados e fomos para a casa do Smeagol, mas não encontramos o carro do Leandro no meio do caminho, o que nos fez ficar mais tranquilos, chegando lá a situação que o carro se encontrava era a seguinte:

Agora sim a obra-prima está completa!!

Somente Ivan saiu dessa sem ganhar manchas de sangue na camisa, algo que foi observado ao chegarmos na casa do coitado ferido. Logo Flávio foi ao Pronto Socorro de Cuiabá com ele e ao chegar lá ficaram se cagando ao imaginar o que aconteceria se o Kimbo estivesse lá.

Saldo dessa brincadeirinha:

1- Smeagol ganhou mais uma cicatriz.

2- Flávio teve que gastar uma grana do balacobaco para retirar todo o sangue do interior do seu carro e ainda teve que aguentar piadinhas como: “É… Tava dando aí sem lubrificante, né?”

3- Eu, Serginho, Smeagol e Flávio ficamos com as camisas manchadas.

4- Leandro ficou mais de dois meses sem o carro por ter saído do lugar que bateu e ter dado um rolo com a seguradora.

5- Leandro passou meses com medo de alguém tentar descontar quando ele saísse na rua.

6- Ganhei uma aposta com o Leandro, pois meu carro chegou antes do dele ficar pronto.

7- Fiquei conhecido na faculdade por ser o louco da história, ninguém acreditava nas minhas versões e ainda mais depois de tentar sair no carro pra peitar o bando todo lá.

Essa história ecoou por semanas nos corredores da Rodoviária (nome como meu bloco é conhecido na UFMT) e assim eu termino mais essa história que aconteceu no meu período de faculdade.

Até a próxima. ALELUIA!!! Até semana que vem.

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Sobre Felipe Washington

Gott weiss Ich will kein Engel sein.
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3 respostas para O Banho de Sangue

  1. Pride disse:

    lol, meu deus, meu deus…

  2. Anita disse:

    Tirando o episódio doloroso de se ter o nariz de um quebrado.. risadas mil!! Acredito seriamente na sua versão d peitar todo o bando.. A sua sorte é q os carros possuem travas de segurança pra coragem súbita! =D Pq do contrário querido.. vc poderia não nos contar essa hilariante historinha… =))

  3. Leandro (Widow Maker) disse:

    Meu momento de ceu e inferno ao mesmo tempo dos tempos de faculdade. Rapaiz, se ainda fosse pela backing vocal eu apanhava quieto, mas por aquele mamute de saia, eu tinha mais era que sair na vantagem neh! =P

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