Europa – Dia 1 (Parte 1)

Muito bem, caros diplomatas!!! Olha só quem está sendo atualizado!!! Bom, depois de quase um mês e meio eu volto a atualizar isso aqui e dessa vez com um texto sobre a minha viagem para a Europa que foi realizada entre os dias 23 de maio e 01 de junho. O que já mostra a preguiça que eu tive em atualizar, já que atualizei somente depois de duas semanas que cheguei, mas tudo bem. Como aconteceu muita coisa e eu escrevo isso aqui principalmente para mim mesmo, escreverei um texto por cada dia de viagem, assim não pouparei detalhes. Curtam nesse fim de quinta e aproveitem para ler enquanto morcegarem no serviço nessa sexta. Sim, meu toque do celular é uma música do jogo do Pokemon.

Procurarei escrever um texto por semana, assim não demorará muito para a história terminar, já que foram nove dias de viagem. Procurarei também criar um índice aqui para ficar mais fácil de acompanhar, além de um link para o próximo post e para o post anterior, coisas que eu acho que facilitam muito a vida de quem lê e não dá trabalho para colocar.

Fui convidado pelo meu tio para ir nessa viagem no final de fevereiro (claro que eu tive que pagar a minha parte) e já comecei a me planejar, a viagem seria para a cidade de Bolonha na Itália, onde me disseram que ocorreria a maior feira de tecnologia em automóveis do mundo. Não sei se realmente é a maior, mas era grandinha, enfim, vocês lerão quando chegar o dia certo. Tirei meu passaporte e comecei a pesquisar sobre a cultura para não ofender ninguém e treinar algo que acho que ninguém pode viajar sem saber: a pedir desculpas e dizer que não sei falar o idioma local na língua local. Saber agradecer eu já sabia pela cena inicial do primeiro Poderoso Chefão, então só parei com o treinamento quando achei que a pronúncia estava satisfatória. Depois disso era só esperar. Mi dispiaci, ma io non parlo italiano. Grazie. Prego.

Era dia 23 de maio, segunda-feira. Pelas minhas contas a viagem demoraria 6hs, nunca tinha nem de perto estado tanto tempo voando, mas estava tranquilo, não tenho problemas com o transporte aéreo. Mesmo antes da viagem principal eu já entrei num avião, afinal, é o jeito mais rápido de sair de Goiânia e ir para São Paulo, de onde saiu o avião da Iberia, meu tio e eu fomos conversando tranquilamente e fiz algo que sempre quis, mas nunca tinha feito antes, algo inútil que a maioria do povo já fez ou quer fazer também que é tirar uma foto enquanto o avião voa.

Tá aí a foto.

Chegando em Congonhas já estava lá um grande amigo do meu tio, Tonhão, nos esperando pra matar o tempo do almoço com a gente e ficamos lá por volta de uma hora até dar o tempo de passar pela PF e essas coisas que enrolam voos internacionais.

Enquanto esperávamos o embarque uma mulher nos fala que é muito difícil dormir no avião antes de sair do continente, pois fica claro e o povo conversa bastante e isso se você conseguir ignorar as turbulências. Meu tio ficou preocupado, mas eu estava bem tranquilo, se o avião cair nem dá tempo de sentir nada mesmo, quando você percebe já tá na fila pra falar com São Pedro, lógico que ele tem mulher e filhas e eu não tenho nada disso. Nem emprego.

A viagem foi bem bacana, principalmente se excluir que nas minhas contas eu não considerei o fuso-horário que tornava a viagem de 6hs em uma de 11hs, do meu lado ficou uma espanhola com a filha de uma ano e meio e eu me ocupei bastante em brincar com ela (A criança. E sem malícia.), na ida também não houve turbulências como dito anteriormente. Infelizmente, apesar de ter me sentado no corredor e na parte central do avião, meu lugar era muito ruim, eu não conseguia esticar as pernas por estar de frente com a parede da cozinha, mas isso não atrapalhou muito, só quando a menininha ia brincar com um cara de dread, bem no estilo Bob Marley mesmo, e eu ficava sozinho tendo que reparar nesses detalhes irritantes.

Na hora de servir a comida eu já estava bem faminto, pois meu almoço não tinha passado de um sanduíche no aeroporto, mas eu estava sentado no fundo do avião e esperar a minha vez já estava virando tortura. A fome ia aumentando e o lado oposto ao que eu estava já tinha sido servido, o que só aumentava ainda mais a fome, foi aí que eu soube que tinha opção de frango ou macarrão podendo escolher uma garrafinha de vinho de 200ml como bebida. Tarado por macarrão como eu sou, não aguentava mais esperar e o vinho iria me ajudar a dormir, diminuindo o tempo ocioso dentro do avião, que mesmo levando um livro, eu não li nada e ficava só conversando de vez em quando. Foi então que a aeromoça chegou, e passou direto por mim. Pensei que estivesse servindo somente um lado, mas quando olhei para trás todo mundo estava comendo e eu estava alí, “starving de fome”. Para conseguir comer eu tive que apertar o botãozinho lá e pedir depois de todo mundo, enquanto isso meu tio ria de mim dizendo que na hora do check-in ele disse para não me darem comida, algo que obviamente era mentira, mas inventar coisas para a história ficar mais engraçada é comum ao meu tio.

Tomei o meu vinho e mais metade da garrafinha do cara que estava sentado ao lado do meu tio, o que foi mais do que suficiente para me fazer dormir por duas horas, meu tio, espertão, tomou café e ficou acordado a viagem inteira. Acordei a tempo de ver a entrada na Europa e a península ibérica bem iluminada, apenas a primeira entre as inúmeras cenas marcantes que vi nessa viagem. Logo depois a aeromoça passou servindo café, mas meu tio novamente seguiu na contra-mão e pediu chá. Não sei o que ele pensava quando pediu as bebidas, chá desacelera o metabolismo e deve ser tomado quando se quer dormir, não às 5hs no horário local. Para melhorar tudo ele ainda conseguiu derrubar tudo na sua camisa, ele se vira para a aeromoça, uma espanhola, e diz:

– Se minha mulher ver isso aqui ela me bate!!

A comissária olha para ele por uns dois segundos, depois se vira para mim e solta um “QUÊ!?”, eu juro que tentei segurar, mas não consegui e ri na cara da pobre mulher enquanto tentava explicar a bagunça feita apontando para a minha camisa, nessa hora ela percebe a lambança e oferece uma “toalhita”, mas meu tio negou, dizendo que ficaria daquele jeito mesmo.

O avião que eu fui tinha uma câmera na cauda, coisa que eu nunca tinha visto antes, e transmitiu a decolagem e o pouso para os passageiros. O pouso foi outra coisa que não tem como descrever satisfatoriamente, mas mesmo assim tentarei. Quando chegamos a Madri eram 6hs da manhã e o Sol estava nascendo no horizonte, mas a cidade ainda estava mergulhada na escuridão, as luzes estavam todas acesas e à nossa frente se encontrava aquela luz avermelhada do amanhecer. Foi uma das coisas mais bonitas que já vi, infelizmente não pude gravar de maneira nenhuma, mas vontade não me faltou.

Logo que chegamos, saímos daquele corredor que se acopla à porta do avião eu vi o discípulo de Bob Marley que brincava com a menininha alternadamente comigo sendo parado por dois policiais, nesse momento vi que o povo lá realmente é preconceituoso, pois ninguém mais foi parado, ou que alguém denunciou o cara enquanto o voo ainda não chegava, pois foram certeiros nele.

O aeroporto de Madri-Barajas realmente é muito grande, possui esteiras para a movimentação mais rápida, mas como prefiro andar usei elas poucas vezes e logo que estava passando pela primeira e admirando (lembrem-se, essa foi minha primeira viagem internacional e eu estava muito maravilhado com tudo) ouvi avisos de que a polícia estava vindo e me afastei para o canto, foi quando passou um carrinho de golfe da polícia do aeroporto com o dreadguy. Segui minha vida, pois até então eu não tinha me tocado no que aquilo poderia significar e continuei me impressionando com tudo escrito em espanhol e as placas de sinalização muito bem colocadas. Cheguei em um ponto que tinha que pegar um trem para ligar o terminal do aeroporto que eu estava com o que eu deveria ir e o que achei mais legal era ouvir todas as informações dadas em espanhol e inglês britânico. Eu gosto muito de perceber as diferenças nos sotaques quando as pessoas falam inglês, principalmente quando envolvem nacionalidades, e o britânico está logo atrás do russo na lista dos que mais me divertem. Ou pelo menos estava, continuem acompanhando a saga e verão. Enfim, saí do trem e vi um painel muito bonito, decidi tirar uma foto na hora, mas o cara que estava ao lado do meu tio no voo disse que tirava uma minha e era para eu ir para lá. Bem, eu prefiro ter fotos somente com paisagens e nas quais eu não apareço, já fui no lugar mesmo, não preciso ter fotos nas quais eu estou lá para comprovar e essa foto mostra a razão: eu nunca gosto das fotos que tiram de mim, nunca aparece tudo que quero mostrar e eu acabo ficando com raiva depois, mas mesmo assim, lá vai a foto.

Painel que se encontra no terminal principal do aeroporto de Madri-Barajas.

Painel cortado, eu queria muito saber o que está escrito em todo o painel... No mais, apareço com O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel em minhas mãos.

Chegou a hora de passar pela imigração, nesse momento vi a divisão entre europeus e não-europeus e começou a inveja das pessoas com dupla nacionalidade. A fila delas é mais curta, eles passam rapidamente e tranquilamente por tudo, uma maravilha… Mas essa inveja passou rapidamente quando percebi uma salinha da polícia somente com o Away de Petrópolis genérico lá dentro. Como cheguei de madrugada a fila da imigração estava vazia também, a passagem foi bem rápida, mas mesmo assim eu tive que passar por um detector de metais, coisa que não sei se os europeus precisam fazer, e não é que o desgraçado me pegou? Não sei o que eu tinha, já que havia retirado tudo, mas a parada apitou. Apitou antes de eu entrar e o cara que cuidava daquele disse que estava tudo bem, não era comigo e que era pra eu avançar, mas quando passei mesmo o treco apitou de novo!! Nisso ele veio tranquilamente dizer que agora sim eu tinha que abrir os braços, acho que ele percebeu que era a primeira vez que eu fazia algo do tipo, pois ele foi bem calmo conversou um pouco comigo e perguntou quantos anos eu tinha, eu respondi automaticamente em espanhol, coisa que me fez rir depois por nem saber o que estava fazendo. Ao passar vejo que meus óculos caíram da bandeja e estavam rolando na esteira, coloquei e percebi dois arranhões gigantescos nas lentes, que estão até hoje por eu não ter feito o exame anual ainda.

Nosso avião para Bolonha só sairia às 9hs, então fomos procurar o portão de embarque que estava identificado como K. Quando cheguei no J vi que não seria tão simples encontrar o portão como parecia, existiam muitos portões identificados como J55, J56, J57 e por aí vai. Meu tio e eu nos juntamos com outros recapadores que também iriam para a feira e fomos ao balcão da Ibéria pedir informações, mas nenhum de nós sabia falar espanhol. Nessa hora entrou em ação um gordinho chamado Leandro, que acabei ficando amigo na viagem, ele foi até o balcão e começou:

– ¡Buenos días!

– ¡Buenos días! – respondeu a atendente toda sorridente.

– Oi! – Ele falou logo em seguida.

Nessa hora a atendente já não estava mais tão sorridente assim. Depois o camarada mostrou a passagem, apontou e disse de uma maneira bem articulada e estranha, levando a língua o mais para frente que pode:

– Bollllonnnha.

A mulher pegou a passagem dele, olhou e disse que nosso voo sairia do portão K75 e que o embarque começaria às 8hs, assim ficamos um tempo lá esperando.

Bom, queria colocar mais coisas nessa parte, mas ela já tem mais de duas mil palavras e dividirei o primeiro dia em duas partes. A segunda sai nesse fim de semana e continua com mais vistas belas de dentro do avião, a chegada em Bolonha e um protesto meio esquisito.

Até a próxima. Me esforçarei para publicar a segunda parte nesse fim de semana.

Índice:

Dia 1 (Parte 2)

Dia 2

Dia 3

Dia 4

Dia 5

Dia 6

Dia 7

Dia 8

 

 

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Sobre Felipe Washington

Gott weiss Ich will kein Engel sein.
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4 respostas para Europa – Dia 1 (Parte 1)

  1. Pride disse:

    Uia
    second, nem belivo no que leio =)
    adorei =)
    e a epopeia ipad
    =”(
    abraços

    • Calma cara, a epopéia do iPad (que nem foi tão epopéia assim, foi bem rápido na verdade) aconteceu ainda no primeiro dia e será descrita no próximo texto, que procurarei publicar ainda nesse fim de semana.
      Minha intenção era cobrir todo esse dia em um só texto, mas ficou muito grande e acabei decidindo dividir.
      Aguarde que tem coisas bem interessantes por vir.
      Principalmente no terceiro dia.

  2. Camila disse:

    Que massa.. e o bob marley o que se sucedeu dele com a policia? hauauaha.. ahhh n pense que vc eh sozinho vc tem amigos mae pai irmãozinho se o avião cair.. hunft.. beijosss adoreii saber do seu primeiro dia de viagem..

    • Nunca mais vi o cara, também queria saber o que aconteceu com ele…
      Eu sei que tenho amigos e família, mas mesmo assim isso não é uma ligação tão forte quanto mulher e filhos e continuo tranquilo nesse caso, não sei por quê, mas não tenho problemas com esse tipo de coisa.
      Deve ser parte do lado psicopata que dizem por aí.
      Hehehe.

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