Europa – Dia 3

Grandes amigos!!! Vamos alegrar essa segunda pós Copa América com mais um texto que se passa nas andanças pela Europa. Nesse texto finalmente vou à Autopromotec, o que me deixou achando que seria o dia com menos conteúdo para escrever, mas veremos que sempre podemos nos surpreender, tando que nem escrevi o pequeno resumo do que esperar desse dia no fim do post anterior. Meus movimentos foram friamente calculados.

Esse texto faz parte de uma série, o texto anterior e o índice se encontram nos respectivos links.

Antes do texto tenho alguns recadinhos para vocês que leem o que escrevo. Estou gostando do retorno de todos, tanto dos meus amigos que comentam quanto dos elogiam os textos e propõem mudanças por outros meios. Não é fácil ficar horas sentado escrevendo um texto e depois ver que ele não teve visualizações, comentários ou avaliações, portanto peço que continuem comentando, se não quiser deixar um comentário avalie nas estrelinhas embaixo do texto, dê um joinha no Facebook ou um Retweet, todas as funções se encontram no fim do texto. Se possível façam todas, mas como eu também não comento muito em blogs por preguiça, apenas as avaliações das estrelinhas já me fazem feliz. Agora vamos ao que interessa.

Terceiro dia em território europeu, quinta-feira, 26 de maio de 2011… O dia deveria se resumir em visitar a feira, motivo da viagem como mencionado no primeiro texto, e ser tradutor do meu tio nos estandes, o que seria meio chato. E foi. A feira era bacana, com vários motores, a Ferrari que o Alonso está usando nessa temporada de Fórmula 1 e carros entre outras coisas. Como todas as feiras automobilísticas os estandes tinham várias mulheres bonitas, destaque para o da Vipal e o da Maxim.

Comecei passeando pelos estandes com meu tio, olhando máquinas, servindo de tradutor quando necessário (sempre), pegando os cartões, sacolas e pequenas lembranças como canetas. Por mais incrível que pareça eu entendia quando as pessoas nos estandes falavam em espanhol, o que me deixou feliz por um momento já que o máximo que eu estudei essa língua foram seis meses a onze anos atrás. Em um estande chagamos de ficar por volta de meia hora conversando com um argentino, cada um em sua língua, e alí eu senti dó do antendente, pois ele perguntava se falávamos inglês e diziamos que estavamos entendendo bem uns aos outros. Saindo dalí um dos nossos companheiros de viagem nos conta que a passagem de ônibus era gratuita, que ele perdeu a hora para sair conosco, pegou um na frente do hotel, não tinha cobrador, ele desceu tranquilamente na porta da feira sem gastar um centavo e que aquilo que era coisa de primeiro mundo mesmo. Quando ele se retirou um outro companheiro de viagem nos diz que os ônibus realmente não tem cobradores, mas isso não significa que são gratuitos. Dentro deles existe uma maquininha onde se depositam moedas e ela emite um ticket confirmando que sua viagem foi paga, se um fiscal te pega sem esse bilhete validado a multa aplicada é de 50€. O crime não compensa.

Entrada da feira.

No estande da Maxim a atendente estava toda serelepe, quando chegamos lá o gordinho que pediu informações em Madri (chamarei ele de Leandro Bolonha ou simplesmente Leandro) estava olhando um pneu ao lado da mulher e meu tio solta:

– Bolllloooonha!!!

– Si, Bolonha!!! – a atendente responde com um sorriso de orelha a orelha.

Fiquei sem graça e com um sorriso amarelo enquanto o Leandro Bolonha respondia “BOLLLOOONHA!!”. A mulher percebeu que não era com ela e ficou sem graça também, mas logo ela nos atendeu e quando pedimos o business card dela ela ficou toda toda, dizendo que não podia, que estava alí trabalhando e que aquilo era coisa pra outra hora. Nesse momento chega outra mulher que também era atendente da Maxim, deu um esporro e disse que o pedido era pelo telefone comercial da Maxim e não pelo telefone dela.

Alfa Romeo Milano.

Por volta das 11hs da manhã eu já estava cansado de ficar preambulando e disse para o meu tio que ficaria sentado um tempo no estande da Vipal, empresa que fornece as borrachas para meu tio. No estande eu tive a primeira oportunidade de conversar com uma italiana, uma das atendentes, e fiquei lá alguns minutos conversando, ora em português, ora em inglês e novamente fui muito bem tratado, ela conversou tranquilamente comigo e foi muito bem educada, mais uma vez contradizendo aquilo que sempre dizem de que estrangeiros são arrogantes e frios. Me sentei em um dos sofás e percebi que um grupo estava se organizando para ir ao museu da Ferrari em Maranello, já que essa cidade fica próxima a Bolonha, para mim visitar aquele museu não mudaria muita coisa, eu realmente não estava com muita vontade de ir, mas como eu já estava lá perto mesmo, por que não, não é mesmo?

Avisei meu tio e ele permitiu a minha ida, mesmo sendo eu que paguei por tudo o que fiz lá, o motivo principal da minha ida era ajudar meu tio, logo eu achava que precisava da sua permissão. Juntei-me ao grupo e fomos almoçar em um restaurante self service dentro da feira mesmo. Pensei que esse tipo de restaurante fosse igual em qualquer lugar do mundo, mas para a minha surpresa não é, não que isso foi ruim. Como na Itália as pessoas tem o costume de comer um prato de entrada, um de acompanhamento, um prato principal e a sobremesa, o self service funciona da seguinte maneira: Existem vários tipos de comida a mostra e você deve escolher qual comerá, logo que a decisão for tomada a pessoa responsável por aquela área de comida te serve uma porção daquilo e cada porção tem seu preço, assim você pode escolher a refeição da maneira que lhe convir.

Saindo da feira decidimos voltar de ônibus para o hotel, deixarei claro que pagamos a passagem e tenho o bilhete para comprovar, enquanto o ônibus fazia seu trajeto percebi porque o meu conterrâneo teve a impressão de que a passagem era gratuita, não vi nenhum italiano pagando a mesma ou validando um ticket e olha que custa míseros 1,20€.

Todos já chegaram na recepção gritando seus dormitórios, alguns em inglês, outros em português mesmo. Agora faço uma pausa e retornarei logo mais a esse ponto da história. Logo que cheguei percebi que pedir a chave do hotel em italiano seria melhor que em qualquer outra língua, até então não havia malandragem nessa minha intenção, tudo o que eu queria era facilitar para o recepcionista, pois ele não teria que fazer esforço mental nenhum ao traduzir os números. Meu quarto era o 228, assim observando os habitantes locais descobri que 2 se pronuncia due e 8, otto. Agora volto para onde parei na história. Em meio a toda a gritaria percebi que o recepcionista estava meio perdido e disse lá do fundo de tudo:

– Due due otto, si?

– Due due otto! Claro! Qui!

– Grazie.

– Prego.

Aí surgiu malandragem na minha mente, pois percebi que havia uma preferência, mesmo não intencional, por aqueles que falavam italiano. E eu usaria isso.

Todo o trajeto que deveria ser feito até o museu estava anotado por uma mulher no nosso grupo, deveríamos pegar o trem que iria para Piacenza, descer em Modena, onde pegaríamos um táxi e seguiríamos para Maranello. Agora vinha o desafio, qual trem deveria ser pego? O trem de alta velocidade ou o trem convencional? Ninguém alí sabia falar italiano, logo o que nos restava era entrar na fila do trem convencional e arriscar.

Fomos Leandro Bolonha e eu juntos, assim se acontecesse uma merda ninguém estaria sozinho e lá fui eu comprar a nossa passagem:

– Piacenza, descendo em Modena.

– Piacenza o Modena? – perguntou o senhor no guichê.

– Maranello, Museu Ferrari. – respondeu meu companheiro.

– Modena!! Modena!! – o senhor completou enquanto erguia os ombros e balançava as mãos paralelamente ao chão e com as palmas voltadas para cima.

– Modena!! – falei também.

Transporte público lá realmente é barato, pois essa viagem para Modena, uma viagem de 37km a Modena custou apenas 3,30€. Um dos casais que estava no nosso grupo, o qual a mulher com as instruções da viagem integrava, pediu errôneamente a passagem para Piacenza, uma cidade 110km além de Modena e ponto final do trem, pagando 12€ cada. A mulher reclamou do atendimento, dizendo que havia sido passada para trás pela atendente do guichê. Caros amigos, tenho uma revelação para fazer e ela pode ser doída, mas se você vai a um país e não sabe falar a língua local, não pode reclamar ao ser mal compreendido, afinal, ninguém de lá tem a obrigação de te entender em outro idioma. Eles disseram que queriam ir a Piacenza e a atendente lhes deu o que foi pedido.

Típica foto de intercambista. A linha do trem vista de dentro do trem.

Durante a viagem só aconteceria uma parada, em Emilia, e a parada lá até que foi demorada, mas por conta de um tiozinho, usuário de um daqueles shorts da Adidas pequenos e com o corte lateral que provavelmente meu avô usava para jogar futebol quando jovem, que provavelmente tentou embarcar no 0800, pois ele e os fiscais passaram três vezes por nós.

Chegando em Modena fomos esperar o taxi, pois não havia nenhum no local, mas não demorou para aparecer, o problema é que estávamos em sete pessoas e precisaríamos de um segundo táxi, enquanto isso fiquei fazendo panoramas do local.

Estação de Modena

Quando o táxi chegou o taxista disse que só falava italiano, então a gente pediu para ir ao museu e ele foi tranquilo, provavelmente muitos turistas chegam lá pedindo para ir a Maranello. No caminho passamos por um castelo do século XIII e o tamanho daquilo realmente foi impressionante para mim, nunca havia visto um castelo antes e realmente fiquei impressionado. Infelizmente não paramos e a visita fica para a próxima vez que eu for lá, e que acontecerá com toda certeza. Quando entramos em Maranello o taxista começou a nos mostrar os pontos da cidade, passamos pela fábrica da Ferrari, por uma loja com artigos da Ferrari, pela pista de prova da Ferrari, por outra loja de artigos da Ferrari, outra loja, outra loja, outra loja… até que finalmente chegamos ao museu.

Se eu estava indo ao museu apenas por curiosidade e diria até um pouco desanimado, tudo isso sumiu quando cheguei na porta. Fui tomado por um entusiasmo súbito, olhei a loja e quando finalmente entrei no museu não consegui me controlar. Eu corria de um lado para o outro, tirava fotos de tudo o que era possível, dos motores, dos carros, nem esperava a foto sair direito e já corria para outra. Só percebi isso quando cheguei aqui e fui olhar as fotos no computador, pois todas estão borradas.

Entrada do Museu Ferrari.

Leandro Bolonha e Alan Prost.

Eu vou precisar mesmo explicar todas essas fotos? Se eu tiver algum leitor cego eu coloco uma descrição nessa.

Ferrari do campeonato de 1990.

Na verdade eu até estava conseguindo me controlar, o problema foi quando vi a Enzo. Naquele momento eu acho que toda a minha paixão por carros aflorou (e tenho certeza de que a de qualquer um também afloraria), mas o golpe baixo ainda estava por vir e se chama Salão dos Campeões. Nessa sala estão todos os troféus e capacetes dos campeões da Scuderia, mas isso não é nada comparado às duas outras coisas presentes alí: a exposição das máquinas ganhadoras das competições de construtores e a sala da experiência de som.

Ah!!! Ferrari Enzo!!! Essa belezinha chega a 355km/h...

...Tudo isso com esse motorzinho.

Salão dos campeões.

No vídeo acima vocês podem perceber toda a minha hiperatividade ao clicar inúmeras vezes em um mesmo lugar para selecionar o que estava na tela. não colocarei mais fotos pois elas são somente dos carros já fabricados pela empresa e eu teria que colocar todas para não cometer injustiças.

Após umas duas ou três horas lá dentro correndo de um lado para o outro e percebendo que metade dos visitantes eram brasileiros, decidi que já tinha visto tudo e era hora de sair. Fui na loja comprar algumas coisinhas para mim e comprei um perfume Scuderia Ferrari, uma caneca térmica, uma bandeira que pendurei no meu quarto e um estojo para meu irmão. Tudo naquele local foi feito para ser usado como recordação depois, desde as sacolas que eles entregam as compras ao papel que eles entregam a nota fiscal. Gostei muito daquela visita, mas ainda faltava muito para eu sair de Maranello…

A caneca térmica se tornou a minha companheira em todos os textos que escrevi desde que voltei.

Saindo do museu encontramos outro brasileiro que disse trabalhar em um local onde se alugavam Ferraris para passeios, o que deixou todos muitíssimos eufóricos pela possibilidade. Todos menos eu, que achava besteira pagar por uma volta de 10 minutos e como não teríamos tempo para algo além disso, não me senti nem um pouco atraído. Segui o restante do grupo até o local, que era logo do outro lado do estacionamento do museu, e os vi empolgados para seus passeios. Disse para o carinha que não iria fazer nada, só esperar. Nesse momento alguém deu a partida na California, no momento exato que eu estava ao lado dela. Imediatamente comecei a procurar minha carteira e contar o dinheiro que tinha, corri para a tabela de preços verificar qual eu escolheria e o tempo, fiquei com a F430 Coupe, cujo passeio de 10 minutos me custaria apenas 60€.

Quando fui assinar o contrato, que continha coisas básicas, como se eu recebesse uma multa eu teria que pagar duas vezes o valor dela ou especificando que se eu batesse a multa seria de 10000€, me pediram a carteira de motorista, porém eu tinha deixado a minha aqui no Brasil, não imaginei que precisaria, logo não arriscaria perder. A vontade de dirigir uma máquina daquelas teria que esperar… Ou não. Lembrei que a minha carteira provisória estava dentro da minha mochila, pois eu a uso para marcar as páginas dos livros que leio, e não custava nada tentar usar ela, resolvi arriscar e ninguém olhou a validade mesmo. Agora era só esperar.

Enquanto esperava, vi um dos meus companheiros de viagem puto pelo fato de que a Ferrari Scuderia que ele escolheu estava estragada e queria dirigir outro carro, conversei um casal recém-casado que estava passando a lua de mel na Itália, o homem dirigia repetidas vezes, acho até que ele dirigiu todos os carros presentes lá, conversei com dois rapazes, que acredito formarem um casal também, afinal, dois homens viajando a dois meses pela Europa só podem formar um casal na minha concepção, e vi a hiperatividade do Leandro Bolonha atingir o nível máximo que pode chegar em uma pessoa. Todos dirigindo os carros eram brasileiros no momento que eu cheguei. Brasileiro deve ser apaixonado por carro mesmo…

Quando chegou a minha vez de dirigir eu tremia, nem acreditava que estava entrando dentro de uma Ferrari e dando a partida nela. Ou melhor, tentando dar a partida, já que eu estava tão nervoso que não consegui. Apertava o botão no volante mas nada acontecia, apertava mais forte um pouco e nada acontecia novamente, apertava mais um pouco e nada, até que o co-piloto se cansou e ligou ela. Esses eventos se repetiram na hora de engatar a marcha ré.

O passeio finalmente começava. Primeiramente pegamos uma reta e recebi a instrução de virar à direita, em uma curva que devia ter uns 90º, decidi testar a estabilidade e devo ter entrado nela a uns 80km/h, virando o volante subitamente. A primeira impressão que tive foi da boa estabilidade e estava feliz por isso, infelizmente o co-piloto não estava e tomei um esporro, onde ele apenas falava para eu virar devagar enquanto fazia o movimento com as mãos simbolizando o virar de um volante. Após mais alguns minutos circulando pela cidade italiana entramos em mais uma via reta, hora de acelerar, a reta era linda, e eu acelerei, acelerei enquanto escutava o ronco do motor atrás de mim e ouvia a mudança de barulho ao trocar de marcha… Até que um caminhão entrou e eu tive que reduzir a uns 40km/h…

Após alguns minutos atrás do caminhão entramos na rodovia, porém ela estava cheia de carros, eram umas 17h30 e as pessoas saíam dos trabalhos e se dirigiam para suas casas, foi quando recebi a instrução de segurar um pouco. Meu cérebro não processou a informação e tudo o que eu ouvia de mim mesmo era “acelera”. Acelerei. O co-piloto brigou comigo e disse para eu não acelerar. Mais uma vez minha mente dizia para eu acelerar o máximo que poderia. Acelerei novamente. Quando se está em um carro daqueles não se consegue pensar em nada além de acelerar. Tomei um esporro fodido dessa vez e consegui colocar a cabeça em ordem. Quando os carros estavam a uns 300m foi me dada a permissão para acelerar e naquele momento afundei o pé até escutar o motor gritando. E como gritava. Tive o impulso de olhar no velocímetro, ele marcava 140km/h. Acelerei mais um pouco, mas os carros agora estavam muito próximos e eu precisava reduzir. Esse momento não deve ter durado mais que alguns segundos, mas tive a sensação de que aquilo durou muito mais, foi como se tudo estivesse em slowmotion e eu pudesse desfrutar de todas as informações que estava recebendo, o ronco do motor, as imagens do mundo lá fora passando rapidamente, a sensação de trocar de marcha pelas borboletinhas atrás do volante… Aquela experiência foi impressionante, valeu cada centavo. Principalmente quando se pensa que eu ganharei qualquer discussão que tiver com um homem agora (não dá para se ganhar discussões de mulheres mesmo), basta eu citar que  já dirigi uma Ferrari e pronto. Como aconteceu na conversa abaixo:

OWNED! Clica que fica maior.

Quando o meu passeio já estava acabando e eu teria que somente atravessar a rua para entrar no estacionamento, o movimento nessa rua já existia, o que me fazia ter que esperar para atravessar. Surgiu um pequeno espaço e o co-piloto disse para eu acelerar, mas dessa vez segurei, pois já estava raciocinando normalmente e não queria bater aquilo de maneira nenhuma, o que fez o tempo passar. Mais uma vez deu um tempo e o co-piloto disse para acelerar, hesitei, ele repetiu, eu acelerei e vi que não daria tempo, o que me fez frear imediatamente. Quase bati na mulher que vinha, fazendo ela buzinar e me xingar, eu estava pouco me fodendo, pois agora além de dizer que eu dirigi uma Ferrari com a carteira vencida também posso dizer que quase bati uma.

Ficamos mais um tempo esperando o camarada do automóvel estragado pegar seu segundo passeio e um dos outros colegas diz que tudo é muito sem-graça, já que só fica no automático. Após rirmos da cara dele contamos que era só acionar as borboletas que a troca de automático para manual ocorreria.

Era chegada a hora de voltar, mas precisávamos correr, pois tínhamos que estar às 20hs no restaurante para o jantar da Vipal, falamos com o dono das Ferraris e ele disse que nos levaria em sua minivan e a viagem ficaria 15€ por pessoa, topamos. Fiquei a viagem toda conversando com ele em inglês e percebi que pra alguém que não faz curso a cinco anos eu até que estou bem, claro que o fato de não ter que me preocupar com sotaque ajudava bastante. A conversa ia bem, até que eu disse que tinha vontade de aprender italiano depois que terminasse de aprender alemão, o que chegou no seguinte diálogo:

– Você fala alemão? – ele perguntou

– Falo sim, pouco mas falo. Eu consigo fazer perguntas básicas e pedir comida… – respondi

– Alemão… Eu não gosto. Principalmente da comida.

Após ficar alguns segundos atônito e com medo de ter cometido uma gafe astronômica eu comecei a elogiar a comida italiana dizendo que não havia comida melhor no mundo, elogiei o povo italiano dizendo que tinha sido muito bem tratado até então e elogiei as italianas, obviamente. Ele agradeceu e eu decidi mudar de assunto, começando a falar dos negócios dele, foi então que ele me disse possuir 7 Ferraris e uma Lamborghini, mas que tinha problemas por não ter uma quantidade igual de co-pilotos, mas ele estava visivelmente contrariado por ter um dos automóveis estragados e ninguém saber o culpado. Após essa conversa eu já me senti mais aliviado e chegamos de volta a Bolonha.

Quando cheguei no hotel, eram 19h45 meu tio já estava de volta ao quarto e tomava banho na banheira calmamente. Separei minhas roupas, assisti mais um pouco de TV e percebi que já eram 20h15 e estávamos atrasados. Fui apressar meu tio e, como sempre, ele jogou a culpa em mim por ter demorado. Me arrumei tão rápido quanto uma Ferrari na auto-estrada e fomos ao restaurante para o jantar.

Uma das portas da antiga Bolonha em uma praça próxima à estação central.

Enquanto caminhávamos em direção ao Diana, restaurante onde ocorreria o jantar, percebi uma sacola no chão, logo mais a frente havia outra, coisa que me estranhou, pois, apesar das pichações, todas as cidades por onde passei eram muito limpas. Quando olhei para o fim da rua percebi um mar de sacolas jogadas por toda a calçada, foi então que me disseram que durante a tarde um protesto contra o governo do Berlusconi, provavelmente por conta das eleições que ocorreriam no domingo, três dias depois.

No restaurante tive outro jantar fenomenal. Três tipos de vinhos diferentes (branco, frizante e tinto), mais queijos, pães, biscoitos, a melhor lasanha que comi e carne suína. Aquele dia foi o único que não consegui comer tudo o que me foi servido, mas a melhor parte veio quando um dos meus companheiros de mesa decidiu pedir azeite.

– A-ZEI-TE! AZEITE!

– ACETATO!! SI!! Uno momento. – O garçom prontamente atendeu.

Quando ele voltou, trouxe vinagre e me lembrei que era só pedir óleo, já que eles não tem o costume de usar óleo de soja, pedi e ele veio com o melhor azeite que já experimentei. Ele era até verde escuro. Após um discurso dos representantes da Vipal e terminar o jantar voltamos para o hotel, onde mais um dia havia terminado.

Turma voltando do jantar da Vipal no restaurante Diana.

Aguardem o próximo texto, contando sobre a ida a Veneza, como um erro de comunicação pode quase foder com um dia e a razão de brasileiros reclamarem de atendimento.

Até a próxima. Três dias para terminar esse texto… PQP… Vou ter que adiantar…

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Sobre Felipe Washington

Gott weiss Ich will kein Engel sein.
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8 respostas para Europa – Dia 3

  1. Josiane disse:

    Obrigada Felipe!!! Valeu pelas informações!!

  2. Josiane disse:

    Por favor, vc se recorda qual o preço aproximado cobrado pelo taxista de Modena até Maranelo? Sei que tem ônibus que também faz esse percurso, mas como chegarei à noite, fiquei na dúvida se tem ônibus e se é seguro….
    Grata
    Josi

    • Lembro sim Josiane, de Modena a Maranello foram cobrados 25 EUR e se fosse o trajeto contrário seriam 30 EUR.
      Nessas cidades os ônibus são seguros, o problema está em algumas ruas de Bolonha, mas por chegar de madrugada eu não sei se terão nesse horário.

      • Josiane disse:

        Obrigada pela informação Felipe!!
        Estaremos lá em maio e também não falo espanhol, francês ou italiano…provavelmente vamos passar um apertos rsrsrsr

        • Josiane disse:

          Aliás Felipe, vc pode me passar o nome do local onde vc alugou a ferrari para dar uma volta, pois vc disse que lá trabalha um brasileiro, é isso mesmo?? Meu marido tá louco para fazer esse passeio….rsrsrs

        • Não falar essas línguas não tem muito problema desde que você saiba falar nelas que você não as fala.
          Sobre o aluguel da Ferrari, existem vários locais em Maranello, mas o que fui e recomendo é um que fica ao lado do Museo Ferrari, quando você está de frente para a entrada do museu ele fica à esquerda, do outro lado do estacionamento. Geralmente fica um casal de brasileiros oferecendo o aluguel para quem sai do museu, então encontrar o local não será difícil.
          Ir para a Europa em maio é muito bom, nessa época é primavera e os locais estão bem floridos.

  3. Camila disse:

    Nossa essa visita no museu da ferrari realmente deve ter sido maraaaa… quem sabe um dia.. eu conheço tbm hahaha .. e quem sabe um dia a gente assisti o nosso tao prometido GP de F1..né? Beijos Fe..

    • Pode ter certeza que a visita foi excelente. Enquanto escrevia esse texto eu ia me arrepiando só por lembrar…
      Essa viagem valeu cada centavo, por isso pretendo voltar lá, quando fizer um mochilão pela Europa, mas isso só quando eu falar italiano, francês e espanhol. Não quero passar os apertos que passei nessa nunca mais.
      E pode deixar, um dia a gente assiste um GP.
      Beijos.

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