Europa – Dia 8

Muito bem, depois de uma semana viajando e revendo os amigos, voltar e ter provas, aulas e show pra ir, eu finalmente volto com a saga pela Europa. Agora a minha viagem pelo velho continente está perto do fim e hoje contarei sobre o dia livre que tive em Madri, com uma ida ao museu, compras e o fechamento da viagem com um espetáculo de dança flamenca. Acho que nem terão mensagens subliminares hoje…

Esse texto faz parte de uma série, o texto anterior e o índice se encontram nos respectivos links.

Esse seria meu último dia alí e era dia livre, o café da manhã foi mais um regado a donuts e churros, aquilo é bom demais e eu tinha que aproveitar, depois meu tio e eu nos encontramos com a agente de viagens e seu marido, além de um senhor, sua mulher e seu neto e decidimos ir ao Museu del Prado, o maior museu da Espanha e acredito ser um dos maiores do mundo também, mas antes de sairmos do hotel pedimos para o recepcionista nos indicar um bom espetáculo de dança flamenca por perto para que pudéssemos vislumbrar algo tão belo da cultura espanhola.

Descemos a Gran Vía a pé em direção ao museu e no caminho vimos uma loja de sapatos que tinha um Democrata na vitrine, imaginem a minha surpresa ao ver que aquele sapato custava 75€. Nem tenho ideia de quanto custa um aqui, mas com certeza é bem mais barato. Continuando o passeio a Carla e o Marcos, a agente de viagens e seu marido, nos disseram que a arquitetura de Buenos Aires lembra muito a de Madri, mas naquele momento eu estava apenas maravilhado com todos aqueles variados prédios. Um dia eu visitarei a terra dos hermanos e comprovarei, até lá eu fico só com Madri mesmo.

Na próxima vez eu levarei democratas daqui e voltarei com perfumes. Pagarei a minha viagem só nessa brincadeira.

Edifício Metrópolis. Esse ano ele completou 100 anos.

Chegamos no museu e já na hora de comprar ingressos meu tio solta mais uma de suas piadocas. Ele pergunta ao vendedor de ingressos se família ganhava desconto, obviamente o homem não entendeu e foi aí que meu tio mostra o passaporte escrito “do Prado”, sobrenome de nossa família, gostei da velocidade de raciocínio do funcionário do local, pois imediatamente ele disse que meu tio deveria pagar mais caro para manter o museu já que “pertencia a ele”, meu tio apenas sorriu e saiu para a checagem de metais.

Infelizmente fotos não podiam ser tiradas alí, mesmo sem flash, assim não pude registrar todas as peças espetaculares que pude ver. Eram pinturas e estátuas das mais variadas épocas, todas muito bem trabalhadas, demonstrando o total esmero que seus criadores tiveram, algo que me fez arrepiar constantemente durante a visita, principalmente quando cheguei na área reservada às obras de Francisco de Goya. As obras desse pintor eram de uma expressividade enorme, algumas demonstrando total loucura e inclusive proporcionando uma sensação estranha ao serem vistas.

O que mais me entristeceu na proibição das fotos foi não poder tirar fotos das criancinhas (sem maldade, seus pervertidos), pois aquilo foi o que mais me afetou. Era impressionante ver turmas e mais turmas de pequeninos ouvindo atentamente suas professoras em meio a tantas obras de arte, cada um esperando educadamente a sua vez de fazer perguntas com o bracinho erguido indicando sua dúvida para a professora. Era incrível ver que desde pequenos eles tem condições de presenciar artes tão marcantes na história da nossa sociedade, juntamente com todo esse sentimento vinha a pena de mim mesmo por não ter tido tal oportunidade, pois considero isso importante na formação de uma pessoa.

Após vermos uma parte do que o museu tinha para nos mostrar, já que era difícil ver tudo apenas em metade de uma manhã, fizemos pequenas compras cada um, sendo que eu comprei apenas um adesivo para a parte de trás do meu iPhone com o Perro Semihundido de Goya, peça que não deixei de usar nem mesmo quando o do Homer mordendo a maçã símbolo da Apple chegou.

Igreja na saída do Museu do Prado.

Na volta pegamos um táxi até a metade da Gran Vía para evitar a fadiga, durante o trajeto o taxista nos diz que o Brasil é um país muito rico, já que vários brasileiros vão passear por lá ultimamente e que o único lugar da América do Sul que ele já tinha visitado era Buenos Aires, confirmando que a arquitetura é parecida com a de Madri, mas que por ser uma cidade mais nova as vias eram maiores. Depois disso eu tive ainda mais vontade de visitar a Argentina, irei após aprender um pouco de espanhol.

Descemos  do táxi e a Carla disse que iria na H&M comprar algumas roupas, eu e o Marcos, seu marido, decidimos ir na loja da Nike que estava logo alí para comprarmos tênis, meu tio foi na loja de roupas ver se tinha algo alí que interessasse às minhas primas. Andei por toda a loja com o Marcos, mas ninguém foi nos atender, assim decidimos que as compras seriam feitas no El Corte Inglés e fomos até a H&M nos reunir novamente com meu tio e a Carla, porém não os encontramos e os créditos de seu celular haviam acabado, decidimos ir ao próximo lugar pois sabíamos que eles seriam encontrados mais cedo ou mais tarde.

Chegando no El Corte Inglés encontramos mais da metade do nosso grupo de viagem alí fazendo compras também, descobrimos que turistas ganham desconto e fomos ao lugar pedir nosso cartão de identificação que seria linkado com o número do nosso passaporte. Após procurar o andar de sapatos e a área de tênis comprei um para usar na academia e depois fui ao local pegar o recibo do Tax Free, conseguindo assim o reembolso dos impostos daquela compra. No balcão do Tax Free estava tocando “You’re Always On My Mind” e uma turista, creio eu que inglesa, demonstrou gostar do meu conhecimento quando comentei com o Marcos sobre a música. Sei que no fim das contas, juntando o desconto de turista e o Tax Free o tênis da Nike com etiqueta de 120€ saiu por uns 90€.

Já estava na hora do almoço e que lugar melhor que o restaurante panorâmico em cima de onde já estávamos? Pois bem, enquanto subíamos as escadas rolantes vi uma mulher estonteante, sem sombra de dúvidas aquela foi a mulher mais linda que já vi em toda a minha vida. Ela devia ter seus vinte e poucos anos, tinha uma pele branca, não tão branca quanto as alemãs que vi em Florença, mas era branca, cabelos castanhos bem escuros, usava uma blusa branca com bolinhas vermelhas e estava muito bem arrumada, algo que me pareceu raro na Espanha, já que a maioria das mulheres que eu vi eram muito bonitas (mais até que as italianas), mas andavam com roupas muito esculachadas. Por alguns segundos eu fiquei paralisado na escara rolante, não acreditava que estava tão perto de uma mulher tão bonita, mas obviamente não fiz porra nenhuma e segui para o restaurante.

Chegando lá encontrei meu tio e a Carla almoçando, nos sentamos todos juntos e pedimos nossos pratos. A Carla disse que estava preocupada conosco, mas relaxou ao perceber que estaríamos tranquilamente seguindo nosso caminho. Após alguns minutos de discussão descobrimos que naquela parte da Gran Vía existe duas lojas da H&M, eles estavam em uma enquanto estávamos em outra, sendo essa a razão de termos nos perdido.

Vista do restaurante panorâmico do El Corte Inglés.

No momento de pagar algumas moedas sobraram de troco e meu tio e o Marcos decidiram dá-las à garçonete como gorjeta, mas estranhamente ela não aceitou. Meu tio insistiu, dizendo que queria dar a ela, mas ela novamente disse que não pegaria, meu tio então disse que deixaria na cestinha que o papel da conta veio, foi então que ela mostrou algo escrito na conta, creio que estava escrito “No se aceita propinas” ou algo do tipo, foi então que meu tio soltou a melhor da viagem: “Isso não é propina, é gorjeta”. Mesmo com essa explicação a mulher não aceitou e meu tio guardou as moedas.

Voltamos para o hotel e enquanto fui me preparar para o banho senti algo que não havia sentido até então: saudade, mas não uma saudadinha qualquer, uma violenta, de forma que nunca tinha sentido antes. Todos os companheiros do grupo reclamavam que estavam com saudades dos seus pais e filhos e que queriam voltar logo, mas eu nunca sentia nada, apenas curtia cada momento da viagem, cada vista, cada comida diferente, cada arquitetura de prédio, cada contato com o povo local, porém naquele dia a saudade veio com tudo e estranhamente não era saudade dos meus pais ou mesmo do meu irmão, era saudade dos meus amigos de Cuiabá. Creio que por nunca ter ficado tanto tempo sem visitar aquela cidade eu estava sentindo falta de conversar nossas merdas, rodar a cidade inteira sem rumo, todos os cafés gelados, sorvetes e churrascos, ir para a Chapada em plena tarde de quinta-feira, jogar Age of Empires II até altas horas da madrugada (às vezes por noites inteiras antes de provas) e outras tantas coisas que pude fazer alí. Não nego que uma pequena depressão bateu em mim por alguns segundos, mas tudo passou tão rápido quanto veio e fui assistir TV.

Enquanto eu estava distraído postando as fotos no Facebook e olhando as atualizações dos meus amigos percebo um vento dentro do quarto, olho para sacada e vejo meu tio somente de cueca lá fora olhando o povo passar na rua. Aquilo foi tão inacreditável que precisei tirar uma foto e ela segue nesse post. Fiquem tranquilos que nada aparece além da sem-noçãozice do meu tio.

Precisa de legenda? Vou colocar o que? Tio sem-noção só de cuecas em sacada de hotel em Madri?

Chegou a hora de irmos ao espetáculo de dança flamenca, doze pessoas tinham confirmado a ida ao restaurante, mas metade desistiu, assim estávamos apenas em seis. Naquele horário a casa estava bem vazia, mas percebi que aquele seria uma ótima apresentação, já que havia uma câmera 3D alí para filmar tudo. Quando fomos pedir os pratos meu tio pediu salmão, mas eu queria provar a famosa paella, assim dividi uma com a Carla.

Grupo da dança, o grupo com bom gosto.

A foto acima foi muito boa de tirar, já que o bem apessoado senhor à direita decidiu comer o pão exatamente na hora que fui bater a foto, assim quando ele sorriu apareceu um pedaço no canto de sua boca, o que me fez rir por minutos enquanto todos no local olhavam para mim.

A apresentação começou e a comida chegou, infelizmente não gostei muito da aparência da paella, já que alí tinham ostras, camarão e frango, mas tudo bem, era um prato típico e comi, o que me mostrou que não podia julgar pelos ingredientes, pois estava muito bom, mesmo eu não gostando de ostras.

Uma das dançarinas de flamenco.

O toureiro.

As quatro dançarinas.

A dança foi incrível, inclusive teve um momento que a dançarina com a saia de bolinhas girou tão rápido que sua presilha voou em direção a nós, não consigo acreditar que algumas pessoas do nosso grupo de brasileiros optou por ficar tomando cerveja em um barzinho e deixaram de presenciar algo tão belo quanto aquilo.

Pois é, mais um dia acabou e agora eu estava prestes a voltar para casa, era só esperar, portanto esperam também que semana que vem conto como foi a volta e a saga européia acaba.

Até a próxima. Preparem-se para o caminho de Santiago.

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Sobre Felipe Washington

Gott weiss Ich will kein Engel sein.
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