Europa – Dia 5

Bem vindos a outro texto da saga pela Europa! Hoje é dia de falar sobre a visita a Milão, o centro econômico da Itália, mais ou menos o que São Paulo é para o Brasil. Para falar a verdade é bem parecido com São Paulo, já que foi o lugar com a maior quantidade de imigrantes que eu vi. Encerrando as divagações, vamos ao texto que contará como reagir ao pedirem dinheiro, perfumes de sucesso e o crack feminino, o Outlet. Que é uma bosta.

Esse texto faz parte de uma série, o texto anterior e o índice se encontram nos respectivos links.

Como previsto por mim no dia anterior, acordei com a garganta péssima, mas não sou abatido tão facilmente, principalmente quando envolve viagens e logo cedo já estava eu no ônibus seguindo para Milão. A viagem foi através de uma planície e bem tranquila, durante o trajeto foi definido que ficaríamos menos tempo em Milão para podermos passar em um Outlet na volta, pois as mulheres estavam entrando em crise por não ter ido em nenhum desses estabelecimentos até o momento. Podemos também vislumbrar ao fundo da paisagem os Alpes e tirei várias fotos para garantir uma decente daquela vista. Consegui e compartilho abaixo.

Alpes Suíços ao fundo da paisagem da ida para Milão.

A primeira parada foi no castelo da cidade. Finalmente eu entraria em um, já que o da ida para Maranello foi apenas uma passagem rápida por perto. Quando descemos já fui abordado por um africano gigante que foi amarrar uma cordinha no meu braço e ficou falando que Brasil e África tem culturas parecidas, tudo isso em inglês. A cultura nem chega a ser parecida, é que a cultura africana foi formadora da brasileira mesmo, mas enfim, continuemos com o texto. Quando ele terminou de amarrar a paradinha me pediu dinheiro, obviamente. Eu peguei a minha carteira e entreguei uma moeda de um euro para ele.

– More, gimme ten euro, ten euro. – ele dizia e eu sabia que ele não pararia enquanto não desse mais, mas eu tinha um plano.

Disse que não tinha mais nada além de dinheiro brasileiro, procurei uma moeda de um real e mostrei para ele, era a única moeda de real que eu tinha no momento. Ele insistiu que eu tinha mais dinheiro e nessa hora pensei que só faltava ser assaltado alí naquele local, foi então que mostrei as notas que estavam na carteira, já que as de Euro eram grandes demais eu as deixava juntas com o passaporte e não havia Euro dentro da minha carteira, mostrei as notas de cinco, dez e vinte reais que eu tinha, totalizando 35 reais.

– Brazil paper money! Souvenir!

Nessa hora fiquei com dó e entreguei a nota de cinco, já que não tem nada pra se fazer com aquilo lá, ele iria fazer o quê? Ir em uma casa de câmbio e trocar por dois euros? Consegui tirar o armário da minha cola e continuei com meu grupo, finalmente entrando no Castello Sforzesco.

Mais interior do castelo. Os furos nas paredes servem para ventilação.

Não tenho ideia do que seja, mas pelos carros imagino ser o escritório do local.

Lá dentro a guia nos conta que Milão já sofreu várias invasões, principalmente por conta da sua localização, pois está a 150km da divisa com a França e a 50km da fronteira com a Suíça, assim a cultura da cidade é bem variada, inclusive com uma réplica do Arco do Triunfo. Contou também que, como a cidade não está situada próxima a um rio, antigamente ela possuía canais para o transporte de água e também de mercadorias, mas que esses canais foram fechados para a construção das ruas de hoje, porém existe um projeto para a reconstrução desses canais pelo centro histórico, com o fim de sua execução marcado para 2014.

Parque do castelo com o Arco della Pace ao fundo.

Fosso e as janelas da prisão próximas ao fundo dele.

Detalhe da torre do castelo. A serpente engolindo a criança é o símbolo de Milão.

Deixando essa primeira parada fizemos um tour de ônimus pela cidade, mostrando alguns locais importantes e igrejas, infelizmente todas as fotos que tirei ficaram ruins e não me ajudam a lembrar de muita coisa que foi dita, mas consigo me lembrar que passamos pelo local onde morou Leonardo da Vinci.

Descendo do ônibus novamente, começamos a fazer o tour a pé pelo centro da cidade, passamos por um monumento em homenagem a Chico Mendes, vimos o Duomo de Milano, a segunda maior igreja católica do mundo e a maior no estilo gótico, visitamos também a praça onde Mussolini foi pendurado após ser morto.

Monumento a Chico Mendes.

Duomo de Milano e suas 136 pontas em estilo gótico. Ela demorou mais de 400 anos para ser concluída. Infelizmente eu não tive tempo para entrar nela...

Praça com a estátua do primeiro escritor na língua italiana e local de exposição do corpo de Mussolini.

Na praça acima temos mais uma gafe do meu tio e a mais grave na minha opinião. Enquanto a guia nos contava que Mussolini foi pendurado nessa praça para que as pessoas soubessem de sua morte e a notícia se espalhasse ele pergunta, com um volume considerável já que estava atrás de todo o grupo, se Berlusconi tem ligações com os apoiadores do ditador italiano da Segunda Guerra. A reação da mulher foi exatamente essa:

Essa foi a minha reação na hora, seguida de uma caminhada para o lado no melhor estilo "Nunca vi esse cara na minha vida".

Acredito que ela sentiu uma breve vontade de matar meu tio por falar merda, mas isso passou rapidamente e ela explicou, olhando para todos os lados esperando que ninguém tivesse ouvido, que não se deve nunca citar aquele nome nem a máfia enquanto estiver na Itália, pois isso é considerado falta de educação e as pessoas se ofendem. Não é preciso ser um físico quântico para imaginar que os italianos sentem vergonha dessa parte do seu passado, mas meu tio disse que imaginou que não seria tão ruim assim. Ano que vem ele quer que eu o acompanhe na viagem para a Alemanha que o grupo fará, já estou me preparando para as próximas gafes…

Saindo daquela praça nos dirigimos para a praça onde existe a prefeitura de Milão e o Banco Comercial. Nessa praça também há uma estátua em homenagem a Leonardo da Vinci, pois como disse antes, ele já morou e trabalhou naquela cidade.

Estátua de Leonardo da Vinci em Milão.

Após essa visita entramos em uma galeria imensa (que infelizmente não consigo lembrar o nome) com várias lojas, restaurantes, pizzarias e um McDonald’s. O curioso é que o McDonald’s de lá não era vermelho e amarelo, era preto e dourado e a explicação que a guia nos deu é que como Milão é a cidade da moda, aquela franquia precisava ter um diferencial alí em relação aos outros lugares, pois aquele é um local especial. Alí também há um mosaico de um touro, mas no local dos bagos existe um buraco e reza a lenda que se você apoiar seu calcanhar alí e girar três vezes você tem sorte. Logicamente eu entrei no espírito local e cumpri o ritual, agora só estou esperando a minha sorte.

O interior da galeria. Notem o McDonald's à direita.

Mosaico do touro.

Após sairmos da galeria nos despedimos da guia o grupo se separou e eu fui almoçar em um restaurante self-service com alguns conterrâneos. Após me servir com a refeição completa me sentei com alguns que já haviam se servido a algum tempo, o que os levou a sairem mais cedo me deixando sozinho na mesa para quatro pessoas. Após algum tempo alguns italianos chegaram e perguntaram se podiam se sentar comigo e eu apenas acenei positivamente. Terminada a refeição fomos passear antes do horário marcado para o encontro com o ônibus e a volta.

Piazza del Duomo.

Durante o passeio entramos em uma loja com várias opções de produtos e logo na entrada uma mulher nos ofereceu um perfume que era a nova onda do verão na Europa, após uma olhada melhor percebemos que o perfume era brasileiro, infelizmente eu não lembro qual era, mas esse não foi o único produto daqui que era sensação por lá.

Caminhamos mais um pouco e entramos em uma loja de malas, bolsas e sombrinhas, uma mulher que estava conosco se apaixonou por uma mala de zebrinha e a comprou para conseguir guardar tudo o que ela estava comprando nessa viagem, já que as três malas não seriam suficientes. Se tratando de malas eu já estava preocupado com as minhas coisas, principalmente com a Mauser, e não tinha comprado nenhuma mala extra. Meu tio tinha as duas estátuas compradas em Veneza e eu tentava o convencer a comprar a mala para colocar tudo lá dentro. O marido da agente de viagens estava em Bolonha e ela ofereceu o seu celular para que eu ligasse para ele pedindo a compra em uma loja ao lado do hotel, mas era sábado e já tinha passado do meio-dia, o que me fez desistir da ideia.

Vista frontal do Duomo di Milano.

Quando chegamos no ponto de encontro um dos casais da noite da pizza me disse que o interior da catedral era magnífico e que era uma parada obrigatória, infelizmente não vi, mas no mochilão pela Europa que estou planejando eu visitarei todos esses locais. No fim fica até melhor não ter feito tudo de uma vez, pois eu estou me remoendo de vontade de voltar àqueles locais.

Quando entrei no ônibus percebi que estava piorando e que precisava de remédios, mas que não tinha levado nenhum. Quando chegamos no Outlet eu pensei em ficar no ônibus dormindo, mas a curiosidade para conhecer o local que despertava tamanha fúria e extase feminino me fez descer. Paseei com meu tio por algumas lojas e percebi que o preço é o mesmo, se não for mais caro, que nas lojas convencionais, mas a fama fazia todas as mulheres lutarem furiosamente por uma visita. Me sentei em um bar com outros do grupo e enquanto eles tomavam cerveja eu comia os petiscos de batata frita e amendoim que traziam.

Chegando em Bolonha eu estava muito mal e decidi não jantar. Após um banho liguei a TV no canal austríaco e comecei a assistir um programa policial, que queria muito saber o nome. A primeira cena era de uma dupla de policiais investigando um quarto, eles diziam que deviam coletar evidências rapidamente, antes que o dono do local chegasse, havia tensão no ar e nos olhares dos dois. É então que começa a tocar Jump do Van Halen como fundo da investigação. Eu fiquei completamente perdido naquilo, esperava uma música séria e que acompanhasse o clima, mas eles me colocam Jump. Imediatamente parei de levar o programa a sério.

Passados alguns minutos chega meu tio dizendo que no restaurante onde ele foi jantar com a agente de viagens e seu marido era servida uma pizza por pessoa, aparentemente ele descobriu o que eu descobri no segundo dia alí, ele disse também que não conseguiu comer tudo e que eu me esbaldaria lá. A gripe maldita me fez perder uma bocada… Fui dormir logo em seguida revoltado por ter perdido essa oportunidade.

Pois bem, mais um dia terminava e juntamente esse texto. No próximo, que me esforçarei para sair nos próximos quatro dias, contarei sobre a partida de Bolonha, o que fazer quando se tem uma gripe e está sem remédios e sobre algumas diferenças entre a Itália e a Espanha.

Até a próxima. Queria ter terminado esse texto durante a tarde…

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Sobre Felipe Washington

Gott weiss Ich will kein Engel sein.
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6 respostas para Europa – Dia 5

  1. Envy disse:

    P.S.: Lembrei o comentário:
    O africano tem razão.. as culturas são mesmo semelhantes (pelo menos a estratégia pra “pedir” dinheiro é), pois quando visitei Salvador também fui abordado por um afrodescendente no momento em que desci do ônibus de passeio que amarrou uma fita no meu braço e pediu 5 reais (preço da fita segundo ele). Mas no meu caso, eu quem disse “souvenir” e acabei ficando com a fita sem pagar.

  2. Envy disse:

    LOL.. ri demais nesse texto.. voce deve imaginar o motivo. Caaara.. fiquei imaginando a reação da mulher… fiquei uns 5 minutos rindo igual retardado (como de costume qnd assisto AQUELE video). Foda que com isso acabei esquecendo completamente o comentário que eu faria sobre um trecho anterior. =/

    • Cara, foi por lembrar de você que escolhi aquele vídeo.
      Queria um para representar e na hora que pensei lembrei imediatamente de você rindo horas na sua casa e tive que colocar.

  3. Camila disse:

    Ninguem merece ficar gripado =///.. Lindissima as fotos Fe.. Beijos

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